Informação Local 24

Meta testa robôs em data centers e preocupa funcionários

Meta testa robôs em data centers e preocupa funcionários
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Meta implementa tecnologia robótica em data centers

A Meta, empresa de tecnologia liderada por Mark Zuckerberg, está em fase avançada de testes com robôs para executar operações de manutenção dentro de seus data centers. Conforme revelado pela revista norte-americana Wired, funcionários da companhia, sob anonimato, confirmaram que robôs em data centers estão sendo avaliados em diferentes localidades dos Estados Unidos, gerando preocupações significativas entre os colaboradores.

Diversos trabalhadores conversaram com a publicação e compartilharam suas perspectivas sobre a performance dessas máquinas. Além de avaliar a eficiência técnica dos equipamentos, os funcionários expressaram temores genuínos acerca da possível substituição de seus postos de trabalho pela automação crescente. Um funcionário, em conversas confidenciais, alertou que a situação poderá afetar a segurança profissional de todos os colaboradores envolvidos com manutenção física nos centros de dados.

Capacidades dos robôs e alcance da substituição

De acordo com informações obtidas pela Wired, um dos robôs em desenvolvimento pela Meta consegue realizar tarefas como trocar cabos de rede e apresenta potencial para substituir até 80% da carga de trabalho de algumas posições. Um funcionário entrevistado ressaltou a preocupação ao afirmar: "Pensávamos que nós, que realizávamos as tarefas físicas, estaríamos seguros por um tempo, mas não mais."

Entre os equipamentos em fase de testes está a Kinova Gen3, máquina com braço robótico capaz de reiniciar ou desligar servidores. Além dessa tecnologia, a Meta já utiliza robôs e equipamentos de fornecedores reconhecidos como Watney Robotics e ABB. As funcionalidades em avaliação incluem a capacidade das máquinas em manusear servidores, conectar cabos e executar outras operações rotineiras de manutenção.

Posicionamento oficial da Meta sobre testes

A Meta recusou-se a comentar oficialmente os testes revelados pela reportagem. No entanto, Francis Brennan, porta-voz da companhia, emitiu comunicado declarando que a empresa investe significativamente em treinamento e recrutamento de colaboradores para seus data centers.

"Os Estados Unidos estão vivenciando o maior boom de infraestrutura desde a Segunda Guerra Mundial, e há uma grande escassez de trabalhadores qualificados para preencher as vagas; precisamos de mais trabalhadores, não menos", afirmou Brennan à Wired. Apesar dessa declaração, em 2025, Eric Xu, executivo responsável pela robótica na Meta, revelou que os objetivos de longo prazo da companhia incluem a inserção em larga escala de robôs em data centers.

Argumentação executiva para automação

Xu, gerente sênior de robótica da companhia, justificou a iniciativa argumentando que os robôs podem acelerar respostas a incidentes, monitorar continuamente o ambiente e executar manutenção preventiva nos espaços controlados. Essa estratégia alinha-se com os objetivos corporativos de otimizar operações e reduzir custos operacionais.

Locais de teste e características dos equipamentos

Conforme reportado pela Wired, a Meta já utiliza robôs em alguns de seus data centers atualmente. O principal laboratório de testes é localizado no data center de Altoona, em Iowa, nos EUA. Entretanto, outras instalações, como o centro em New Albany, Ohio, também estão passando por testes robóticos avançados.

No data center de Iowa, o robô testado possui dois braços e executa trabalhos especializados de cabeamento. Em Ohio, a Wired documentou testes com um robô de quatro rodas equipado com plataforma elevatória tipo tesoura e braço de seis eixos na seção superior. Esse equipamento é utilizado para reinstalar componentes e, potencialmente, poderá assumir tarefas adicionais com supervisão humana cada vez menor.

Transformação do mercado de robótica industrial

Até recentemente, robôs não eram considerados adequados para ambientes de data centers. Os principais obstáculos incluíam custos prohibitivos e falta de habilidade das máquinas para executar tarefas relativamente simples. Essa realidade mudou drasticamente no mercado atual.

De acordo com fontes consultadas pela Wired, o hardware tornou-se mais acessível financeiramente, enquanto o desenvolvimento da inteligência artificial que alimenta os robôs acelerou-se consideravelmente. O número de startups especializadas em construir robôs comerciais capazes de substituir cabos, montar servidores e trocar componentes também expandiu-se significativamente.

Os robôs oferecem potencial para otimizar produção a custos menores comparados à mão de obra humana. Essa solução é particularmente direcionada para regiões menos populosas onde data centers são abundantes, mas faltam técnicos qualificados disponíveis.

Perspectivas defensoras da automação

Defensores da robótica apresentaram à Wired argumentos favoráveis: os robôs poderiam beneficiar os trabalhadores ao assumirem tarefas repetitivas e perigosas dos técnicos de data centers, liberando recursos humanos para desafios mais complexos e criativos. Essa abordagem propõe uma colaboração homem-máquina em vez de substituição direta.

Outra hipótese apresentada é que, com a adoção de mão de obra robótica, seria viável desenvolver data centers em ambientes extremos, como submarinos, espaço sideral ou locais inóspitos para seres humanos. Essas possibilidades ampliam o potencial de expansão infraestrutural das grandes corporações tecnológicas.

Preocupações dos funcionários e questões trabalhistas

A iniciativa de robótica não transcorre isenta de críticas. Trabalhadores de data centers da Meta manifestaram à Wired temores genuínos de que seus empregos sejam eliminados ou precarizados, apesar do discurso corporativo pró-trabalhador. Um funcionário do centro de dados expressou-se: "Eles não querem mais pessoas que consigam pensar de forma independente, apresentar soluções criativas ou realizar diagnósticos complexos. Eles querem 'mãos inteligentes', pessoas que sejam capazes apenas de seguir instruções de IA sem cometer erros."

Subsídios fiscais e impacto econômico regional

As fontes consultadas destacaram que a Meta recebe benefícios fiscais substanciais em troca de construir data centers em determinados estados americanos. Esses incentivos estão condicionados à geração de empregos para residentes locais e ao prestígio que a Meta proporciona às regiões onde opera.

Um exemplo significativo é o data center de Altoona, Iowa, inaugurado em 2014. Desde então, a empresa teria economizado milhões de dólares em impostos prediais. No entanto, o uso crescente de robôs pode comprometer a contratação de novos funcionários e questionar a validade contínua desses subsídios.

Dean O'Connor, prefeito de Altoona, declarou à revista que não reflexionou profundamente sobre a possibilidade de robôs substituírem empregos no data center Meta, embora considere essa transformação inevitável. "Vamos lidar com isso conforme for acontecendo", afirmou O'Connor, indicando uma postura de espera quanto aos desdobramentos dessa revolução tecnológica nos data centers americanos.

Também em Tecnologia

Criptomoedas

BNB $728 ▲ 0.12%
Solana (SOL) $102 ▼ 0.23%
XRP $1.3700 ▲ 0.75%