Irmã de Graham assume Senado após morte repentina

Sucessão no Senado dos EUA após morte inesperada
Darline Graham Nordone, irmã do falecido senador Lindsey Graham, foi nomeada pelo governador Henry McMaster para ocupar a cadeira no Senado dos EUA deixada pela morte repentina do legislador republicano. A designação foi anunciada na segunda-feira (13) em coletiva de imprensa na sede do governo estadual da Carolina do Sul, marcando um momento histórico para a representação feminina na câmara alta norte-americana.
De acordo com a legislação estadual, o governador da Carolina do Sul possui a competência legal para indicar um suplente quando ocorre a vacância do cargo de senador. McMaster, republicano assim como Lindsey Graham, escolheu a irmã do falecido para completar o mandato que se encerraria naturalmente em 3 de janeiro. Nordone se tornará a primeira mulher a representar a Carolina do Sul no Senado dos EUA, um marco significativo na história política do estado.
Posse e relação familiar
Conforme informações de fonte ligada ao processo de nomeação, Darline Graham Nordone toma posse na quarta-feira para exercer o cargo até janeiro. A escolha recaiu sobre a irmã por ser ela a pessoa viva mais próxima de Graham, que não era casado nem tinha filhos. Historicamente, Lindsey Graham assumiu papel central na criação da irmã após a morte dos pais quando ela era jovem, estreitando os laços familiares que os uniram durante décadas.
Circunstâncias da morte
O senador Lindsey Graham faleceu no sábado (11) aos 71 anos após uma "doença repentina e breve". Segundo a rede americana NBC, o serviço de emergência foi acionado para atender a um chamado de parada cardíaca no endereço do senador em Washington D.C. Contudo, a causa oficial da morte ainda não foi formalmente confirmada pelas autoridades competentes.
A morte ocorre em contexto de preocupação nacional sobre a transparência relativamente à saúde de parlamentares americanos. Recentemente, o deputado Tom Kean Jr., republicano de Nova Jersey, esteve afastado por meses sem explicações públicas antes de revelar diagnóstico de depressão. O senador Mitch McConnell, republicano do Kentucky, também foi hospitalizado semanas antes sem divulgação dos motivos.
Carreira política e influência
Lindsey Graham construiu uma trajetória de mais de trinta anos na política norte-americana. Eleito deputado estadual em 1992 após trabalhar como advogado na Justiça Militar, Graham originário de Central, na Carolina do Sul, de família de classe média baixa onde seus pais eram proprietários de um bar. Formado em Direito, sua projeção nacional iniciou em 1999 quando integrou a comissão que aprovou o impeachment do presidente Bill Clinton.
Em 2016, Graham disputou a indicação presidencial do Partido Republicano, sendo derrotado nas prévias por Donald Trump. Essa derrota marcaria o início de sua aproximação com Trump, transformando significativamente sua trajetória política posterior. Recentemente, presidiu a Comissão de Orçamento do Senado além de integrar as Comissões de Apropriações, Judiciária e de Meio Ambiente e Obras Públicas.
Relação com Donald Trump
A relação entre Graham e Trump começou conflituosa. O senador havia afirmado que Trump era "inapto para o cargo" e utilizou linguagem depreciativa após comentários do então empresário sobre John McCain, melhor amigo e colega de Graham no Senado. McCain, Graham e o ex-senador Joe Lieberman eram conhecidos como os "Três Amigos", viajando frequentemente para defender uma política externa intervencionista americana.
Entretanto, Graham alterou significativamente sua posição após a vitória de Trump nas eleições presidenciais. Tornou-se um dos principais aliados do presidente, mantendo contatos frequentes e tornando-se presença constante em partidas de golfe presidenciais. Em entrevista de 2018, Graham explicou essa mudança citando ensinamentos de McCain sobre a necessidade de colaborar com o presidente após as eleições.
Graham chegou a se afastar de Trump após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, declarando publicamente "Estou fora. Já chega." Todavia, regressou à proximidade pouco tempo depois, permanecendo como aliado durante o segundo mandato presidencial. Trump lamentou a morte do senador descrevendo-o como "uma das melhores pessoas" na rede social Truth Social, ressaltando sua dedicação e patriotismo.
Política externa e contribuições legislativas
Graham era reconhecido por defender uma política externa que enfatizava o uso da força militar pelos Estados Unidos e o fortalecimento da defesa nacional. Na semana anterior ao falecimento, integrou delegação que visitou Kiev, capital da Ucrânia, anunciando acordo para avançar em pacote de maiores sanções americanas à Rússia.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky expressou profundo pesar com a morte de Graham, descrevendo-o como "verdadeiro defensor da liberdade e dos valores que tornam nosso mundo mais seguro." Graham estava escalado para participar do programa "Meet the Press" da NBC no domingo (12).
Repercussão internacional
Diversos líderes mundiais expressaram condolências. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu descreveu Graham como "grande amigo de Israel" e "querido amigo", ressaltando sua compreensão sobre a inseparabilidade entre segurança israelense e americana. John Thune, líder da maioria no Senado dos EUA, afirmou que "meu coração está pesado" pela morte do colega, reconhecendo sua dedicação à Força Aérea e ao Congresso ao longo de muitos anos.
Legado político
A trajetória de Graham reflete transformações significativas no Partido Republicano nos últimos anos. Inicialmente visto como mais moderado em questões como imigração, adotou posteriormente posições mais duras alinhadas ao discurso trumpista. Enfrentou ocasionalmente resistência interna ao se afastar de alas conservadoras, como quando votou a favor de juíza indicada por Barack Obama para a Suprema Corte.
Após a derrota de Trump para Joe Biden em 2020, Graham participou de tentativas de contestar os resultados eleitorais, incluindo telefonema ao responsável pela certificação de votos na Geórgia para questionar a possibilidade de contestação judicial de votos por correio. Sua morte encerra uma era significativa na política republicana americana, deixando legado controverso marcado pela evolução de suas posições políticas e pela influência exercida nos últimos anos.



