Dissecação da aorta causa morte do senador Graham

Morte do senador confirmada por laudo de autópsia
O senador norte-americano Lindsey Graham, membro do Partido Republicano, faleceu na noite de sábado (11) devido a uma dissecação da aorta provocada por doença cardiovascular arteriosclerótica. O parlamentar da Carolina do Sul tinha 71 anos de idade. A dissecação da aorta caracteriza-se por um rasgo ou vazamento na principal artéria responsável por transportar sangue do coração para o restante do corpo.
O laudo contendo os resultados da autópsia foi divulgado pelo gabinete de Graham no domingo (12) e foi emitido pelo Instituto Médico Legal do Distrito de Colúmbia, em Washington, D.C. De acordo com o comunicado oficial, o certificado de óbito definitivo ainda permanece pendente e será atualizado após a conclusão dos testes toxicológicos e exames microscópicos, procedimentos que determinarão formalmente a classificação final da causa da morte.
Comunicado inicial e detalhes posteriores
Inicialmente, o escritório de Graham havia informado apenas que a morte ocorreu após uma "breve e repentina doença". Os detalhes específicos da falha cardíaca tornaram-se públicos somente no domingo, quando o Instituto Médico Legal divulgou seu laudo preliminar sobre a dissecação da aorta que vitimou o senador.
O presidente Donald Trump, aliado próximo de Graham no Capitólio, manifestou sua tristeza em entrevista ao programa "Meet the Press" da emissora NBC. Trump revelou haver conversado com o senador por telefone na noite de sábado, logo após o parlamentar retornar de uma viagem oficial a Kiev, na Ucrânia. "Ele parecia um pouco cansado, mas perfeito", declarou Trump, descrevendo o senador como "um membro da família". O presidente americano ordenou que as bandeiras em todo o país fossem hasteadas a meio-mastro em sinal de luto até o sábado seguinte.
Trajetória política e mandatos
Graham estava em seu quinto mandato como senador dos Estados Unidos e planejava concorrer à reeleição em novembro daquele ano. Ele ocupava a presidência do Comitê de Orçamento do Senado e era considerado uma das vozes mais influentes da política externa norte-americana. Sua carreira política ultrapassava três décadas, iniciada em 1992 quando foi eleito deputado estadual após atuar como advogado nas áreas militar e comum.
Nascido em uma família de classe média baixa na cidade de Central, na Carolina do Sul, Graham cresceu auxiliando seus pais, proprietários de um bar localizado próximo à residência familiar. Formou-se em Direito antes de ingressar na vida pública. Sua projeção nacional começou em 1999, quando integrou a comissão da Câmara dos Representantes que aprovou o processo de impeachment do então presidente Bill Clinton.
Relação com Trump e evolução política
A relação entre Graham e Trump iniciou-se de forma conturbada. O senador chegou a afirmar que o então empresário era "inapto para o cargo" e utilizou linguagem forte para se referir a Trump após comentários depreciativos sobre o ex-senador John McCain, melhor amigo de Graham no Senado e veterano da Guerra do Vietnã. McCain, Graham e o ex-senador Joe Lieberman, independente por Connecticut, eram conhecidos como os "Três Amigos" e realizavam frequentes viagens internacionais para defender uma política externa intervencionista dos Estados Unidos.
Contudo, Graham modificou significativamente sua posição após a vitória de Trump na eleição presidencial. O senador tornou-se um dos principais aliados do presidente, passou a manter conversas frequentes com ele e se tornou presença constante em partidas de golfe ao seu lado, enquanto McCain permaneceu como crítico de Trump. Em entrevista à Associated Press em 2018, Graham explicou sua mudança de postura afirmando que McCain lhe ensinou que o país necessita seguir adiante após as eleições, o que significava haver "a obrigação" de ajudar o presidente.
Graham chegou a romper com Trump após a invasão do Capitólio por apoiadores do então presidente, em 6 de janeiro de 2021, quando declarou: "Estou fora. Já chega." Porém, pouco tempo depois voltou a se aproximar de Trump e permaneceu como um de seus aliados durante o segundo mandato do presidente.
Posições políticas e comissões
Graham defendeu durante anos uma política externa favorável ao uso da força militar pelos Estados Unidos e ao fortalecimento da defesa nacional. Recentemente, presidia a Comissão de Orçamento do Senado e integrava também a Comissão de Apropriações, a Comissão Judiciária e a Comissão de Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado.
Se anteriormente era visto como mais moderado em temas como imigração, passou a adotar posições mais duras, alinhadas às de Trump. Em alguns momentos, porém, enfrentou resistência dentro do próprio partido ao se afastar das alas mais conservadoras, como quando votou a favor de uma juíza indicada pelo então presidente Barack Obama para a Suprema Corte.
Após a derrota de Trump para Joe Biden em 2020, Graham participou das tentativas de contestar o resultado da eleição, chegando a telefonar ao responsável pela certificação dos votos no estado da Geórgia para questionar a possibilidade de contestação judicial de votos enviados pelo correio.
Sucessão política e impacto
Os republicanos detinham uma maioria apertada de 53 a 47 cadeiras no Senado. Pela lei da Carolina do Sul, o governador Henry McMaster, também republicano, deveria nomear um substituto temporário para Graham, que permaneceria no cargo até janeiro. McMaster afirmou em nota que Graham é "insubstituível", descrevendo-o como "o mais feroz dos defensores da Carolina do Sul e da América — e um amigo leal e firme".
Graham não era casado e não tinha filhos. Sua parente viva mais próxima era a irmã Darline Graham Nordone, a quem ajudou a criar depois que ambos perderam seus pais na infância.
Repercussão internacional
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou estar "profundamente entristecido" com a morte de Graham, descrevendo-o como um "verdadeiro defensor da liberdade e dos valores que tornam o nosso mundo mais seguro". Na semana anterior ao falecimento, Graham havia participado de uma delegação que esteve em Kiev e anunciou um acordo para avançar em um pacote de maiores sanções dos Estados Unidos à Rússia.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também lamentou a morte de Graham, descrevendo-o como "um grande amigo de Israel" e um "querido amigo" pessoal. Segundo Netanyahu, Graham compreendia que a segurança de Israel e dos Estados Unidos era inseparável e dedicou sua vida à defesa dos EUA, ao fortalecimento da aliança entre os dois países e à defesa do mundo livre. "Israel perdeu um de seus maiores amigos. Os Estados Unidos perderam um grande patriota. Eu perdi um amigo querido", afirmou Netanyahu ao prestar condolências à família de Graham e ao povo americano.
O líder da maioria no Senado dos Estados Unidos, John Thune, republicano da Dakota do Sul, afirmou que "meu coração está pesado nesta manhã ao saber da morte do meu amigo e colega, o senador Lindsey Graham", ressaltando que o senador havia dedicado muitos anos de sua vida à Força Aérea e ao Congresso, atuando em diversas regiões do mundo como defensor firme dos Estados Unidos e forte aliado de países que valorizam a liberdade.




