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Brasil critica tarifaço dos EUA antes de decisão final amanhã

Brasil critica tarifaço dos EUA antes de decisão final amanhã
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/14/na-vespera-do-prazo-para-eua-decidir-sobre-novas-taxas-brasil-faz-reuniao-com-americanos-e-diz-que-tarifaco-e-injusto.ghtml

Brasil contesta tarifaço dos EUA em reunião de alto nível

Na véspera do prazo para os Estados Unidos divulgarem sua decisão final, o Brasil realizou a quinta reunião de negociações com representantes americanos nesta terça-feira (14), reafirmando que considera injusto o tarifaço de 25% recomendado pela investigação da Seção 301. A delegação brasileira, integrada por membros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e das Relações Exteriores, junto à assessoria presidencial, buscou convencer os americanos a reconsiderarem a posição sobre o tarifaço que ameaça bilhões em exportações nacionais.

O representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, presidiu a reunião após semanas de tensões diplomáticas. Conforme avaliação dos negociadores brasileiros, houve progresso em momentos anteriores das conversas. Contudo, desde maio, a Casa Branca adotou postura rígida, apresentando questões classificadas como "inegociáveis", incluindo modificações no PIX e alterações na legislação sobre minerais críticos.

Investigação comercial e principais alegações dos EUA

A investigação sob a Seção 301 concentra-se em três frentes principais que sustentam o tarifaço recomendado. Primeira, os americanos alegam que o PIX prejudica empresas de cartões de crédito norte-americanas, questionando a estrutura do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.

Segunda, acusam falta de eficácia na fiscalização do desmatamento ilegal, argumentando que essa deficiência resulta na exportação de produtos agrícolas de origem questionável. Os dados apresentados pelo Brasil sobre desmatamento foram desconsiderados pela administração americana, sem contrapropostas ou indicações de flexibilização.

Terceira, as big techs americanas reivindicam mudanças na regulação do setor tecnológico no Brasil. O governo brasileiro apresentou proposta de encaminhamento abordando seis pontos levantados pelo USTR na abertura da investigação comercial há cerca de dez dias, mas permanece aguardando resposta americana.

Posicionamento brasileiro e orientações presidenciais

O presidente Lula orientou que o Brasil mantenha-se na mesa de negociação sem permitir que questões ideológicas contaminem as discussões. Não obstante essa postura, a avaliação governamental aponta que a decisão do USTR de recomendar as tarifas possui motivação política, não comercial.

Conforme declarado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, a tarifa média aplicada aos principais produtos com origem americana é de apenas 3%, enquanto dos dez produtos americanos mais vendidos no Brasil, oito entram sem qualquer incidência tarifária. Por essa razão, Alckmin argumenta que o tarifaço americano não faz "sentido" econômico ou lógico.

Escala de produtos brasileiros afetados pelo tarifaço

Levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que o tarifaço pode impactar 4,2 mil produtos brasileiros comercializados no mercado americano. Esses produtos somam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações nacionais, representando impacto significativo na economia.

Entre os produtos mais vulneráveis estão ferro gusa, molduras de madeira e álcool etílico. A incidência do tarifaço atingiria diversos setores, desde siderurgia até química fina, afetando milhares de empresas brasileiras que dependem da exportação para os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do Brasil.

Posicionamento de entidades empresariais

A CNI, Câmara Americana de Comércio (AmCham) e US Chamber of Commerce enviaram carta conjunta aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além de autoridades americanas, solicitando que ambas as nações intensifiquem as negociações para evitar a implementação do tarifaço. O posicionamento conjunto de entidades empresariais reflete a preocupação generalizada com os possíveis impactos econômicos.

Perspectivas futuras e decisão iminente

O prazo para anúncio da medida e publicação da lista de produtos sujeitos ao tarifaço termina amanhã, 15 de julho. Embora um eventual adiamento tenha sido considerado "improvável" pelo governo brasileiro, auxiliares do presidente Lula tentaram contato com interlocutores de Donald Trump no início da manhã de terça-feira para explorar possibilidade de nova rodada de negociação.

A expectativa é que a decisão final sobre o tarifaço seja anunciada conforme cronograma estabelecido, ressalvado qualquer desenvolvimento de última hora nas negociações bilaterais. O Brasil permanece engajado nas tratativas, buscando demonstrar que as acusações contidas na Seção 301 carecem de fundamentação sólida e que o tarifaço prejudicaria ambas as economias.

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