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Brasil ativa Lei de Reciprocidade contra tarifas americanas

Brasil ativa Lei de Reciprocidade contra tarifas americanas
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Brasil ativa mecanismo de defesa contra tarifas americanas

O governo brasileiro formalizou nesta quinta-feira (13) o acionamento da Lei de Reciprocidade contra as medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos. Este movimento representa uma resposta institucional às práticas comerciais que o Brasil considera discriminatórias e injustificadas, marcando um escalada no conflito comercial entre os dois países.

A Lei de Reciprocidade, aprovada com unanimidade no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula em 2025, funciona como instrumento de defesa que autoriza o país a aplicar medidas equivalentes àquelas sofridas por parte de outras nações. Trata-se de um mecanismo legal que permite equalizar restrições, tarifas ou sanções comerciais impostas unilateralmente.

Processo formal iniciado com notificação aos EUA

Conforme comunicado oficial divulgado pela administração, o Ministério das Relações Exteriores iniciou a análise de enquadramento ordinário das medidas unilaterais adotadas pelo governo norte-americano, especificamente aquelas regidas pela Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. O Brasil informou estar notificando formalmente Washington sobre o início do procedimento e solicitando a abertura de consultas diplomáticas.

A estratégia governamental privilegia a via do diálogo e da negociação. Conforme destacado em comunicado oficial, as consultas diplomáticas visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e contramedidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, reforçando a disposição brasileira de resolver a questão através do entendimento internacional.

Posicionamento brasileiro sobre tarifas injustificadas

O governo mantém a posição de que atuou consistentemente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para encerrar investigações baseadas na Seção 301. Brasil apresentou evidências que refutam alegações sobre práticas comerciais desleais, argumentando que as tarifas norte-americanas carecem de fundamentação técnica e jurídica.

Segundo comunicado governamental, as tarifas impostas pelos EUA são caracterizadas como arbitrárias e injustificadas, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias apropriadas, inclusive organismos multilaterais de comércio internacional.

Contexto da reunião presidencial

Pouco antes da divulgação da nota oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, para discutir os desdobramentos da questão tarifária e definir estratégias de resposta.

Paralelos com ações na Organização Mundial do Comércio

No início da semana, os Estados Unidos responderam positivamente ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Washington informou estar à disposição para realização de encontros diplomáticos em data conveniente aos representantes brasileiros.

O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, justificada em alegadas práticas econômicas desleais brasileiras contra empresas americanas, e outra de 12,5%, fundamentada em supostas falhas na fiscalização de importações contendo trabalho forçado. O governo brasileiro argumenta que essas medidas violam compromissos internacionais assumidos pelos EUA e caracterizam-se como discriminatórias e unilaterais.

Cronologia das medidas tarifárias de Trump

As tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos intensificaram-se ao longo de 2025 e 2026. Em abril de 2025, Trump implementou tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros, utilizando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) como fundamento legal.

Posteriormente, em junho, elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, baseando-se na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962. Em julho do mesmo ano, impôs aumento de 40%, elevando alíquotas totais para 50% em diversos itens, embora acompanhado de extensa lista de exceções setoriais.

Negociações diretas entre Lula e Trump em novembro resultaram na retirada da tarifa de 40% sobre produtos como café, carnes e frutas. Contudo, em fevereiro de 2026, a Suprema Corte norte-americana invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas, eliminando a taxa recíproca de 10% e a sobretaxa de 40%. Aço e alumínio permaneceram afetados por se basearem na Seção 232.

No mesmo período, Trump anunciou tarifa global temporária de 10% com duração de 150 dias, fundamentada em dispositivo da lei comercial de 1974. Em 22 de julho de 2026, entrou em vigor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de investigação dos EUA baseada na Seção 301, deixando milhares de produtos isentos. No dia 24 de julho, começou a valer nova tarifa de 12,5%, coincidindo com término da tarifa global de 10%.

Posições do setor produtivo brasileiro

Representantes do setor de máquinas e equipamentos manifestaram preocupações quanto à aplicação plena da Lei de Reciprocidade. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu a continuidade das negociações via canais diplomáticos e empresariais, alertando para possíveis impactos negativos de represálias comerciais diretas.

Este posicionamento reflete tensões internas sobre a melhor estratégia para lidar com o conflito tarifário, equilibrando a necessidade de resposta firme com a preservação de relações comerciais essenciais para setores específicos da economia brasileira.

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