Trump pede apoio de Meloni contra Irã em serie de criticas nas redes

Presidente americano intensifica ataques contra lideranças europeias
Donald Trump ampliou suas críticas contra lideranças europeias neste domingo (21), com foco especial em Trump critica Meloni e questiona o apoio italiano nas questões internacionais. Em postagens na rede TruthSocial, o presidente dos Estados Unidos direcionou comentários contundentes contra a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e o premiê britânico Keir Starmer, elevando as tensões diplomáticas entre Washington e os aliados europeus.
Críticas a Starmer e questionamentos sobre liderança britânica
Na plataforma de sua propriedade, Trump afirmou que Starmer "fracassou feio" na gestão de questões migratórias e energéticas do Reino Unido, prevendo sua saída do cargo em breve. O presidente republicano enfatizou a necessidade de exploração de petróleo no Mar do Norte como solução para os problemas britânicos, utilizando letras maiúsculas para destacar os temas de imigração e energia.
Segundo a declaração de Trump, o premiê britânico não teria conseguido resolver desafios estruturais que afligem a população do Reino Unido. A avaliação crítica reflete uma postura mais agressiva do líder americano em relação aos aliados da OTAN, questionando sua capacidade administrativa.
Meloni e a questão nuclear iraniana
Horas após criticar Starmer, Trump direcionou suas atenções para a primeira-ministra italiana, alegando que Meloni não demonstrou interesse em se envolver no combate à "ameaça nuclear" do Irã. Em tom de frustração, Trump afirmou que, apesar de décadas de proteção americana à Europa através da OTAN, os aliados não correspondem quando precisam do apoio dos Estados Unidos.
A publicação ressalta uma tensão latente nas relações transatlânticas, especialmente após operações militares americanas contra objetivos iranianos realizadas em fevereiro, quando a Itália não foi previamente consultada. Trump critica Meloni por não participar ativamente das decisões estratégicas contra o Irã, evidenciando o distanciamento entre Washington e Roma.
Contexto da foto no G7 e desentendimentos anteriores
Os comentários de Trump sobre Meloni surgem dias após um episódio controverso durante a cúpula do G7. O presidente americano relatou a um canal televisivo italiano que a primeira-ministra teria "implorado" para tirar uma foto com ele, sugerindo que agiu por piedade em relação à colega política.
Meloni respondeu categoricamente, afirmando estar "surpresa" com as declarações e classificando-as como "completamente inventadas". A premiê italiana repreendeu Trump por tratar com mais deferência os inimigos do Ocidente do que os antigos aliados, criticando o padrão de comportamento do presidente americano nas relações internacionais.
Resposta diplomática italiana
Após as declarações de Trump sobre o episódio da foto, o chanceler italiano Antonio Tajani anunciou o cancelamento de uma visita programada aos Estados Unidos para reunião com o secretário de Estado americano Marco Rubio. Tajani condenou publicamente as "palavras graves e ofensivas" do presidente Trump em relação a Meloni.
Giovanbattista Fazzolari, subsecretário do gabinete de Meloni, também se pronunciou criticando os "rompantes inadequados" de Trump, argumentando que o presidente conseguiu tornar os Estados Unidos impopulares no continente europeu, prejudicando as relações transatlânticas.
Trajetória do distanciamento entre Trump e Meloni
A relação entre os dois líderes, que começou como aliança próxima, deteriorou-se significativamente desde abril do ano anterior. Inicialmente, Meloni era vista como uma das lideranças europeias mais alinhadas com Trump, compartilhando posições similares sobre imigração ilegal e crítica a agendas progressistas.
A premiê italiana foi a única líder europeia presente na cerimônia de posse de Trump em 2025, sinalizando proximidade política. Contudo, o anúncio de tarifas comerciais contra aliados europeus no mesmo ano marcou o início de divergências significativas.
Episódio do papa e ruptura ideológica
Em abril, Trump chamou o papa Leão XIV de "fraco" por condenar a guerra no Irã. Meloni defendeu imediatamente o pontífice, considerando inaceitáveis as palavras do presidente americano. Trump respondeu em entrevista afirmando estar "chocado" com a postura de Meloni, sugerindo que ela não tinha coragem e que "a Itália nunca mais será o mesmo país".
Analistas consultados pelo The New York Times avaliam que Meloni aproveitou a crise envolvendo o papa para sinalizar um afastamento estratégico de Trump, visando melhorar sua imagem junto a eleitores italianos incomodados com as políticas americanas.
Questões estratégicas e militar
Em fevereiro, quando os Estados Unidos atacaram o Irã em ação conjunta com Israel, a Itália foi surpreendida pela falta de consulta prévia. O ministro da Defesa italiano estava de férias nos Emirados Árabes Unidos e precisou ser resgatado em um jato militar, gerando críticas internas e constrangimento político.
A operação no Irã elevou preços de gás e energia na Itália, coincidindo com período de votação sobre reforma judicial apoiada por Meloni. Pesquisas indicaram rejeição dos italianos à ofensiva americana, levando a premiê a condenar publicamente a guerra e recusar o uso de base aérea na Sicília para operações de combate.
Acordo de defesa com Israel
Em movimento adicional de distanciamento, Meloni anunciou que a Itália não renovaria acordo de defesa com Israel após disparos de advertência atingirem comboio italiano em missão de paz da ONU no sul do Líbano. Analistas indicam que a decisão foi motivada primariamente por política interna.
Posicionamento oficial e perspectivas futuras
O ministro italiano das Empresas e Made in Italy, Adolfo Urso, afirmou que as relações entre Estados Unidos e Itália permanecerão fortes dentro das instituições internacionais. Contudo, Trump insistiu que a relação deteriorou-se, declarando na Fox News que qualquer país recusando ajuda na questão iraniana não manteria o mesmo relacionamento.
A ex-embaixadora italiana nos Estados Unidos, Mariangela Zappia, avalia que a crise pessoal entre Meloni e Trump não deve afetar relações bilaterais estruturais. Segundo ela, Trump agiu impulsivamente após frustração com a Europa quanto ao Irã, enquanto a Europa deseja participar das decisões estratégicas que a afetam diretamente.



