Senado aprova redução de 37% da Floresta Jamanxim

Aprovação Polêmica no Senado Federal
O Senado Federal aprovou na quarta-feira (15) uma proposição legislativa que altera significativamente a categoria de proteção da Floresta Nacional Jamanxim. A medida transforma aproximadamente 486,4 mil hectares da reserva em Área de Proteção Ambiental (APA), reduzindo a Floresta Nacional Jamanxim de 1.302.000 para 814.600 hectares. Essa Floresta Nacional Jamanxim representa uma das maiores unidades de conservação de uso sustentável da região norte brasileira, e a mudança em seu status representa um marco importante nas discussões sobre política ambiental na Amazônia.
Consequências da Recategorização
A transformação de parte da Floresta Nacional Jamanxim em Área de Proteção Ambiental modifica fundamentalmente as regras que regulam a exploração e ocupação do território. Enquanto floresta nacional, o Jamanxim possui regulamentações ambientais mais rigorosas, incluindo restrições severas a atividades econômicas e ocupação fundiária. As APAs, por sua vez, estabelecem parâmetros menos restritivos, permitindo a regularização de ocupações preexistentes e a implementação de atividades agropecuárias e de mineração, desde que respeitados os limites estabelecidos pela legislação.
Características Principais da Proposta Aprovada
A proposição determina uma diminuição de 37,39% da área original da Floresta Nacional Jamanxim. O texto estabelece que a região retirada da floresta nacional será incorporada à nova Área de Proteção Ambiental do Jamanxim, abrangendo aproximadamente 486.400 hectares. A unidade de conservação original foi criada por decreto presidencial em 2006 e localiza-se no município de Novo Progresso, no estado do Pará.
Autorização de Atividades Econômicas
O projeto aprovado permite a execução de atividades agropecuárias dentro da Área de Proteção Ambiental, estabelecendo que conversão de floresta para usos pecuários fica limitada a vinte por cento da posse ou propriedade. Além disso, o texto autoriza operações de mineração tanto na floresta nacional remanescente quanto na nova APA, desde que previstas nos planos de manejo das respectivas unidades. Essa flexibilização representa mudança expressiva em relação às restrições anteriores impostas pelo status de floresta nacional.
Regularização Fundiária
A proposta contempla regularização de ocupações anteriores a 2006, consideradas como mansas e pacíficas. Proprietários e posseiros dentro da Área de Proteção Ambiental deverão regularizar passivos ambientais conforme legislação vigente. O projeto também prevê a desapropriação de imóveis rurais privados que permaneçam dentro da floresta nacional remanescente, declarando-os de utilidade pública.
Previsões para Ocupantes da Região
O texto legislativo autoriza o reassentamento de ocupantes para terras da União ou do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em outras áreas da Amazônia Legal. Enquanto não ocorrer realocação definitiva, os ocupantes poderão continuar exercendo atividades econômicas nas áreas de sua posse ou propriedade. Essa disposição visa compatibilizar a manutenção das atividades econômicas com o processo de reorganização territorial.
Contrapartidas Ambientais
A legislação estabelece condicionante contra desmatamento ilegal, determinando que títulos de domínio poderão ser cancelados em caso de supressão não autorizada de vegetação nativa. Essa cláusula representa tentativa de compatibilizar flexibilização de regras com manutenção de limites mínimos de proteção ambiental. O texto também declara revogado o decreto presidencial que criou a Floresta Nacional do Jamanxim em 2006.
Encaminhamento para Sanção Presidencial
Após aprovação no Senado Federal, o projeto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida gera debate sobre os impactos da redução de 37% da Floresta Nacional Jamanxim nas políticas de conservação ambiental amazônica. Críticos argumentam que a recategorização flexibiliza proteção ambiental e abre riscos para legalizar ocupações irregulares, estimular grilagem de terras, garimpo ilegal e desmatamento. Defensores da proposta argumentam que o projeto disciplina ocupação da região e estimula atividades consideradas sustentáveis.
Contexto da Unidade de Conservação
A Floresta Nacional Jamanxim, conforme dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), possui área total de 1.302.000 hectares. A unidade localiza-se no município de Novo Progresso, região do estado do Pará com importante presença de atividades agropecuárias e mineral. A criação da Floresta Nacional Jamanxim em 2006 representou marco importante nas políticas de conservação de ecossistemas amazônicos, estabelecendo regime de proteção mais rigoroso que as áreas de proteção ambiental convencionais.



