Sánchez lidera protesto no Peru enquanto Fujimori

Manifestação em Lima e denúncias de irregularidades
O candidato de esquerda Roberto Sánchez organizou um protesto no Peru nesta sexta-feira, reunindo apoiadores nas ruas de Lima para questionar o processo eleitoral em andamento. Durante a manifestação, Sánchez e seus simpatizantes exigiram justiça eleitoral e transparência, acusando a autoridade competente de não respeitar os direitos democráticos básicos.
O protesto no Peru representou um momento crucial no segundo turno das eleições presidenciais, onde a tensão política intensificava-se conforme a apuração dos votos se prolongava. Sánchez criticou duramente as ações das autoridades eleitorais, argumentando que nem mesmo o direito de manifestação estava sendo respeitado adequadamente.
Posicionamento de Sánchez sobre a apuração
Durante seu discurso no protesto, Sánchez enfatizou: "Eles nos negam o direito de protestar e alegam que esta manifestação é ilegal por meio de um documento. Sequer permitem a expressão democrática de pessoas que desejam se manifestar e exigir justiça eleitoral, o devido processo legal e transparência. Claramente, isso não é um padrão democrático. Apesar de tudo isso, nosso povo está aqui".
O deputado de esquerda argumentou que sua candidatura representava a verdadeira vontade popular, ressaltando que suas bases de apoio concentravam-se em todo o território nacional. Segundo dados que seu partido apresentava, Sánchez mantinha liderança em 16 regiões peruanas, justificando sua contestação dos resultados até então divulgados.
Situação da contagem com 99% apurado
Com 99,64% das urnas apuradas, Keiko Fujimori mantinha-se à frente na disputa presidencial com 50,113% dos votos válidos contra 49,887% conquistados por Sánchez. A margem de vantagem era reduzida, com aproximadamente 41.474 votos separando os dois candidatos. Esta pequena diferença alimentava as esperanças da campanha de Sánchez de reverter o resultado quando a apuração se completasse.
O Escritório Nacional de Eleições (ONPE) do Peru indicava que aproximadamente 87 mil votos ainda aguardavam análise pelo júri eleitoral. Esses votos contestados poderiam ser decisivos para definir o resultado final da eleição presidencial peruana.
Ações judiciais e contestação de votos
O partido de Sánchez, Juntos por el Peru, ingressou com ações judiciais junto à Justiça eleitoral buscando anular votos de Lima e do exterior. A estratégia legal alegava padrões anormais de votação que supostamente favoreceriam Fujimori, além de questionar alterações nas regras que teriam afetado votos oriundos do exterior.
Essas medidas judiciais representavam uma tentativa sistemática de questionar a legitimidade dos votos que beneficiavam sua adversária. O partido argumentava que houve manipulação nos processos eleitorais, particularmente entre os eleitores que votaram no estrangeiro.
Desempenho eleitoral no exterior versus interior
Os dados revelavam uma divisão clara entre a votação dentro e fora do Peru. No exterior, Fujimori conquistava 63,206% dos votos, demonstrando forte apoio entre a diáspora peruana. Já dentro do território peruano, a situação invertia-se: Sánchez liderava ligeiramente com 50,110% dos votos, indicando que sua base eleitoral concentrava-se principalmente na população que reside no Peru.
Esta diferença geográfica constituía o cerne das críticas de Sánchez, que questionava a legitimidade da votação internacional e acusava as autoridades de terem alterado regras que beneficiavam sua adversária entre eleitores externos.
Apoio de militantes durante o protesto
Alicia Mamani, uma professora que participava do protesto no Peru, expressava a indignação de simpatizantes de Sánchez: "Buscamos a democracia com Roberto Sánchez como presidente do Peru porque ele tem a maioria dos votos em todo o país, em todas as 16 regiões. É um voto limpo que o povo lhe deu, e isso deve ser respeitado. Roberto Sánchez representa a democracia, não a ditadura".
Este depoimento ilustrava a convicção entre apoiadores de que Sánchez havia conquistado legitimamente o apoio popular, interpretando a liderança de Fujimori na contagem como resultado de irregularidades eleitorais.
Histórico político de Fujimori
Keiko Fujimori disputava sua quarta tentativa de chegar à Presidência do Peru. A conservadora mantinha-se calma perante os questionamentos, aguardando pacientemente a conclusão da apuração. Caso confirmada sua vitória, ela se tornaria a primeira mulher eleita diretamente para o cargo presidencial peruano.
Fujimori havia enfrentado derrotas anteriores em dois turnos presidenciais. Em 2021, ela foi derrotada por Pedro Castillo por margem de apenas 44.200 votos, demonstrando a competitividade eleitoral peruana e a possibilidade real de reviravoltas em apurações próximas.
Posicionamento de Sánchez sobre resultado final
Enquanto a recontagem lenta dos votos contestados prosseguia, o partido de Sánchez anunciou publicamente que não respeitaria o resultado final das eleições presidenciais caso não fosse favorável a seu candidato. Esta declaração representava uma escalada nas tensões políticas internas do Peru e questionava a aceitação democrática do voto popular.
Observações internacionais sobre o processo eleitoral
Missões de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia realizaram acompanhamento independente das eleições peruanas. Ambas as organizações internacionais afirmaram que a votação transcorreu normalmente, sem indicações de fraudes sistemáticas. Elas solicitaram aos candidatos e ao Estado peruano que aguardassem pacientemente a divulgação oficial dos resultados finais.
O parecer das missões internacionais contrastava com as acusações levantadas por Sánchez e seu partido, gerando questionamentos sobre a interpretação dos dados eleitorais e a legitimidade das contestações apresentadas ao longo do processo.



