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Regininha, voz de 'Teletema', morre aos 81 anos

Regininha, voz de 'Teletema', morre aos 81 anos
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Regininha: A Voz Que Eternizou 'Teletema'

Regininha, nome artístico de Regina Amália Serra de Souza, faleceu no dia 13 de outubro de 2026, aos 81 anos, deixando um legado marcante na história da música brasileira. A intérprete e compositora carioca nascida em 1º de outubro de 1945 conquistou reconhecimento pela sua participação em projetos musicais significativos, particularmente como a voz etérea de uma das canções mais memoráveis da televisão brasileira.

A trajetória de Regininha como cantora começou no final de 1966, quando integrou o coletivo Musicanossa, um movimento criado para valorizar a bossa nova em período em que o gênero enfrentava desvalorização no mercado musical brasileiro. Esse período marcou o início de uma carreira que se desenvolveria de forma consistente durante as décadas seguintes.

O Álbum 'Me Ajuda Que a Voz Não Dá!!' e a Turma da Pilantragem

Em 1969, considerado o ano mais produtivo da carreira profissional de Regininha, foi lançado seu álbum único na discografia: "Me ajuda que a voz não dá!!" (1969). Embora creditado como trabalho feito com A Turma da Pilantragem, o álbum funcionava essencialmente como um projeto solo de Regininha, apresentando sua voz em interpretações memoráveis.

O título peculiar do álbum originou-se de um momento inusitado ocorrido durante as sessões de gravação. Ao interpretar "Primavera", composição clássica de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes de 1964, Regininha fez um pedido de socorro espontâneo que foi incorporado ao disco, conferindo autenticidade e personalidade ao registro.

No repertório do álbum de 1969, Regininha interpretou canções consagradas da música brasileira com o suingue característico da Turma da Pilantragem. Entre as faixas gravadas destacavam-se "Tem dó", composição de Baden Powell e Vinicius de Moraes de 1963, e "Deixa a nega gingar", música de Luiz Cláudio de Castro lançada em 1960. Essas interpretações demonstravam a versatilidade e a sensibilidade vocal de Regininha em relação ao repertório da bossa nova e do samba.

'Teletema': A Imortalidade Musical de Regininha

Apesar de sua atuação como compositora e intérprete versátil, Regininha tornou-se eternizada na memória coletiva brasileira pela interpretação de "Teletema", música composta pela parceria de Antonio Adolfo com Tibério Gaspar em 1969. Tibério Gaspar (1943 – 2017) foi figura importante na produção musical da época, colaborando com Adolfo nessa composição que se tornaria icônica.

"Teletema" foi selecionada como tema principal da trilha sonora da novela "Véu de noiva", exibida pela TV Globo de outubro de 1969 a junho de 1970. A produção alcançou grande sucesso entre o público, consolidando a canção e, consequentemente, a interpretação de Regininha como parte fundamental da memória audiovisual de uma geração. A voz etérea de Regininha conferiu à composição uma leveza e elegância que contribuíram decisivamente para o impacto do tema televisivo.

Participação na Discografia de Roberto Carlos

Além de seu trabalho como artista solo e sua participação em projetos coletivos, Regininha colaborou com nomes ilustres da música brasileira. Entre essas colaborações destaca-se sua contribuição como compositora para Roberto Carlos, um dos maiores nomes da história musical do Brasil.

Em outubro de 1981, há mais de quatro décadas, Roberto Carlos estava em estúdio para gravar as músicas que compõem o álbum lançado em 26 de novembro daquele ano. Uma das composições selecionadas foi "Simples mágica", música criada por Regininha em parceria com Jamil Joanes e Ronaldo Monteiro. A inclusão da música na discografia do cantor evidencia o reconhecimento profissional que Regininha desfrutava entre os principais artistas da indústria musical brasileira.

Cabe observar que "Simples mágica" não era inédita quando Roberto Carlos a gravou. A própria Regininha havia registrado a composição anteriormente em um EP lançado em 1979, no qual a autoria era creditada aos três compositores. Contudo, a versão de Roberto Carlos não alcançou o mesmo destaque que outras obras da época, sendo gradualmente esquecida pelo grande público ao longo dos anos.

A Carreira em Vozes Múltiplas

Após o lançamento do álbum com a Turma da Pilantragem em 1969, Regininha continuou desenvolvendo sua carreira musical de formas diversificadas. Em 1970, fundou o trio vocal Umas e Outras ao lado de Dorinha Tapajós e Malu Balona, projeto que ampliou suas possibilidades artísticas no campo das vozes femininas harmonizadas.

Nos anos subsequentes, Regininha dedicou-se principalmente ao trabalho como vocalista profissional, participando de diversos projetos musicais e colaborações. Além disso, trabalhou na gravação de jingles comerciais, setor que proporcionava sustentação profissional enquanto mantinha sua conexão com a produção musical brasileira.

Legado e Memória

Embora Regininha tenha desenvolvido uma carreira extensa e respeitada entre seus pares, foi a interpretação de "Teletema" que a eternizou na história da música brasileira. A canção continua sendo reconhecida e apreciada por gerações sucessivas, mantendo viva a memória da artista através de sua voz característica.

A morte de Regininha encerra um capítulo importante da história musical brasileira. Sua contribuição como intérprete e compositora, ainda que modesta em volume discográfico, permanece significativa para a compreensão da música brasileira dos anos 1960 e 1970. O legado de Regininha transcende suas gravações, representando um período de criatividade e experimentação na música popular brasileira.

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