Publicitário nega ilegalidade em operação PF

Defesa nega ilegalidades em operação Compliance Zero
A defesa de Thiago Miranda divulgou nota nesta quinta-feira negando a prática de qualquer ilegalidade pelo publicitário, alvo da décima fase da operação Compliance Zero conduzida pela Polícia Federal. Segundo seu advogado, a atuação profissional do empresário sempre foi pautada pela legalidade, transparência e respeito às instituições.
Em comunicado oficial, os representantes legais do publicitário afirmam que ele não cometeu qualquer ato criminoso e não participou de condutas destinadas a intimidar, coagir ou violar direitos de terceiros. O defensor legal ressalta a importância de preservar as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e, sobretudo, da presunção de inocência durante o processo investigativo.
Thiago Miranda encontra-se à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações, conforme afirma a defesa. O objetivo é demonstrar a completa regularidade de suas ações profissionais e pessoais.
Investigações apontam papel central de Thiago Miranda
A Polícia Federal apura que Thiago Miranda teria exercido papel central na coordenação de ações ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os investigadores identificam indícios de operações coordenadas em redes sociais voltadas para comprometer a credibilidade da instituição financeira responsável pela liquidação do Banco Master.
Conforme os autos de investigação, o publicitário é apontado como principal articulador do denominado Projeto DV, utilizando as iniciais de Daniel Vorcaro. Seu papel incluía a contratação direta de agências para estruturar campanhas de desinformação na mídia, segundo relato dos investigadores.
A operação Compliance Zero também investiga supostas ações de assédio, intimidação e coação dirigidas contra desafetos e jornalistas. De acordo com os policiais, o grupo liderado por Thiago recorria a táticas agressivas quando ofertas financeiras eram recusadas, utilizando informações obtidas de forma ilícita através de plataformas clandestinas.
Aliciamento de influenciadores e profissionais de mídia
Os investigadores apontam que Thiago Miranda estaria envolvido no aliciamento de influenciadores digitais e jornalistas com ofertas expressivas. Os valores chegavam a aproximadamente dois milhões de reais por postagens coordenadas, com objetivo de questionar publicamente as decisões do Banco Central sobre a liquidação do Banco Master.
Os contratos firmados para essa cooperação incluíam cláusulas de confidencialidade rigorosas, com multas elevadas previstas. Essa estrutura contratual visava garantir sigilo sobre os arranjos financeiros e as ações coordenadas entre as partes envolvidas.
Monitoramento de jornalistas e empresários
A investigação constata que equipes supostamente comandadas por Thiago Miranda realizavam levantamentos profundos sobre a vida pessoal, patrimonial e financeira de jornalistas e empresários. Entre os alvos identificados estão a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e o executivo Milton Maluhy Filho, do Itaú Unibanco.
Relatórios confidenciais contendo dados civis e fiscais desses indivíduos circulavam por orientação de Thiago Miranda, conforme apontam os investigadores. Essa prática de monitoramento extensivo buscava identificar potenciais ameaças à reputação e aos negócios de Daniel Vorcaro.
Gestão de crise e intermediação de contatos
Como parte de estratégia de gestão de crise, Thiago mantinha contato direto com jornalistas e veículos de comunicação para negociar ações que reduzissem danos de reportagens consideradas prejudiciais aos interesses do grupo. O publicitário também trabalhava para conseguir a remoção de conteúdos desfavoráveis.
Além disso, relatórios indicam que Thiago Miranda intermediou contatos entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro sobre financiamento da produção cinematográfica Dark Horse, documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fluxo financeiro das operações
Os policiais constataram que os pagamentos para honrar compromissos com influenciadores e intermediários eram realizados pelo próprio Thiago Miranda. Os recursos utilizados eram repassados por empresas vinculadas a Daniel Vorcaro, criando um fluxo financeiro rastreável pela investigação.
Possíveis crimes investigados
A Polícia Federal investiga ainda a adoção de medidas para interferência em investigações criminais. Os fatos apurados podem configurar, em tese, diversos crimes, incluindo crime contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, e embaraço à investigação de organização criminosa. Também são investigadas possíveis violações de dados e dispositivos informáticos.
A defesa de Thiago Miranda permanece atenta ao desenvolvimento das investigações e reafirma o compromisso com a transparência no processo legal que se desenrola.



