Polícia identifica terceira empresa vítima de desvio de contêineres
Investigação revela terceira vítima do desvio de contêineres em Minas Gerais
A 2ª Delegacia de Polícia Civil de Juiz de Fora confirmou o envolvimento de mais uma empresa no maior caso de desvio de contêineres da região. A investigação, que segue em andamento, mapeou uma terceira vítima do golpe aplicado por integrantes de uma quadrilha organizada que atuou de forma coordenada entre Estados.
A empresa afetada, sediada em São Paulo, enviou representantes até Juiz de Fora para detalhar a situação dos bens extraviados. Através da análise da numeração identificadora dos contêineres, os investigadores conseguiram localizar mais 22 unidades na sexta-feira, 20 de dezembro, depositadas nas mesmas empresas onde os anteriores haviam sido encontrados.
Estrutura do golpe e modus operandi da quadrilha
Conforme as apurações da autoridade policial, o desvio de contêineres foi executado mediante a clonagem de uma empresa legítima do ramo de exportações. Os criminosos utilizaram inclusive o cadastro da companhia original para conferir credibilidade às transações fraudulentas.
Até o momento, foram identificadas como prejudicadas uma empresa de Belo Horizonte e duas de São Paulo. Todas atuam como intermediárias entre grandes firmas exportadoras e armadores, viabilizando contêineres para o transporte de produtos variados ao exterior. O valor de cada unidade nova é estimado em aproximadamente US$ 5 mil, resultando em um prejuízo total que ultrapassa R$ 1 milhão.
Procedimentos de investigação em andamento
O caso foi registrado como receptação culposa na delegacia de Juiz de Fora, modalidade de crime que se caracteriza quando as vítimas adquirem produtos de origem ilícita, embora devessem desconfiar da procedência. O procedimento segue sob análise aprofundada pelos investigadores locais.
Quando a investigação for finalizada, toda a documentação será encaminhada para as delegacias de Belo Horizonte e São Paulo, onde também tramitam inquéritos sobre estelionato relacionados ao mesmo caso. A divisão jurisdicional segue as regiões onde o golpe foi aplicado e onde se concentram as vítimas.
Números alarmantes e rastreamento de contêineres bloqueados
A empresa responsável pelo transporte informou que um total de 56 contêineres foram desviados de suas proprietárias legítimas. Os investigadores descobriram informação preocupante: 16 das unidades localizadas em Minas Gerais estavam com bloqueio ativo e mesmo assim foram retirados do cais onde se encontravam.
Este fato indica possível conivência de funcionários ou terceiros envolvidos na retirada irregular do material. A Polícia Civil continua apurando a participação de uma empresa localizada em Campos Elísios, no município de Duque de Caxias, onde os contêineres foram entregues. As evidências apontam que os supostos empresários responsáveis pelo local estavam cientes da fraude e auxiliaram ativamente na execução do golpe.
Responsabilidades e consequências para receptadores
Os empresários localizados em Juiz de Fora e Matias Barbosa não apresentaram documentação fiscal que comprovasse a aquisição regular dos contêineres pelos valores declarados de R$ 8 mil por unidade. Além de responder pelo crime de receptação culposa, estes indivíduos deverão prestar contas às administrações das Receitas Estadual e Federal.
A Polícia Civil informará formalmente ambas as esferas tributárias sobre os achados da investigação através de ofício oficial, permitindo que as autoridades fiscais analisem possíveis irregularidades tributárias e comerciais associadas às transações suspeitas.
Situação atual dos bens apreendidos
Os 43 contêineres localizados foram mantidos nas empresas onde foram encontrados, funcionando como depositários fiéis conforme determinação legal. Estas unidades permanecerão sob guarda até que o processo judicial seja finalizado e os bens retornem aos seus legítimos proprietários.
A conclusão da investigação dependerá da colaboração de testemunhas, análise de documentação contábil e operacional, além da investigação paralela em outras jurisdições. O caso representa um dos maiores esquemas de fraude comercial envolvendo carga de exportação registrados na região nos últimos anos.




