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Manifestação questiona atuação da Meta nas eleições

Manifestação questiona atuação da Meta nas eleições
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Protesto organizado em São Paulo contra atuação da Meta

Um ato realizado na tarde de segunda-feira (19) em frente à sede da Meta no Brasil reuniu manifestantes contrários à atuação da empresa no processo eleitoral. A manifestação, denominada "Meta, não se meta na nossa eleição", ocorreu na Avenida Faria Lima, zona sul de São Paulo, e foi articulada por organizações da sociedade civil e movimentos sociais que questionam as políticas da plataforma durante o período eleitoral.

De acordo com apurações, os participantes tentaram entregar uma notificação extrajudicial a representantes da Meta, porém a empresa recusou-se a receber o documento. Os manifestantes denunciam que a Meta interferência eleições teria prejudicado conteúdos e perfis vinculados a grupos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Denúncias relacionadas à restrição de conteúdo

Os organizadores do protesto relatam que, nas últimas semanas, foram registradas múltiplas irregularidades nas plataformas da Meta. Entre as denúncias estão a suspensão de perfis, remoção de publicações, quedas repentinas de alcance e restrições funcionais sem explicação prévia aos usuários afetados.

Além disso, as entidades apontam supostas irregularidades envolvendo anúncios eleitorais pagos com moedas estrangeiras e questionam o funcionamento dos algoritmos de inteligência artificial na classificação e recomendação de candidatos. Os manifestantes também denunciam a prática conhecida como "shadowban", descrita como a redução seletiva do alcance de publicações sem comunicação clara ao usuário.

Exigências apresentadas pela sociedade civil

A notificação extrajudicial seria direcionada a Conrado Leister, diretor da Meta no Brasil. Entre as solicitações das entidades estão a reparação dos supostos danos causados pelas plataformas, maior transparência sobre decisões de moderação de conteúdo e a criação de canais de contestação para usuários e organizações prejudicados.

Os organizadores pedem também a preservação integral de registros de moderação e de dados sobre distribuição de conteúdos para possibilitar auditorias realizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelo Ministério Público e por representantes da sociedade civil. O protesto foi organizado pelas entidades CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil.

Decisão do Tribunal Superior Eleitoral

Em 15 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emitiu determinação estabelecendo que, até o fim do segundo turno das eleições, a Meta não interfira na distribuição de conteúdo político-eleitoral relacionado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem ao senador Flávio Bolsonaro (PL), sob pena de multa diária de R$ 500 mil.

A decisão judicial foi proferida em ação protocolada pela campanha de reeleição do presidente Lula, que arguiu que a empresa "tem falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega de postagens da coligação". Esta determinação revela preocupações institucionais com possível interferência de plataformas digitais no processo eleitoral nacional.

Posicionamento da Meta sobre as acusações

Em 16 de outubro, a Meta divulgou comunicado oficial negando qualquer interferência no processo eleitoral brasileiro. A empresa afirmou que "não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição" e explicou que incidentes técnicos recentes afetaram ambas as campanhas na internet, incluindo a de Lula (PT) e a de Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo o posicionamento corporativo, a empresa declarou que "nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos". A Meta interferência eleições, conforme a empresa, seria resultado de falhas técnicas e aplicações automáticas de protocolos de segurança, não de direcionamento político intencional.

Suspensão da conta de anúncios da campanha presidencial

A Meta informou que a conta de anúncios da campanha de Lula (PT) foi desativada "por engano" no dia 23 de setembro, durante análise mais ampla de combate a fraudes. Segundo a empresa, a suspensão ocorreu após um anúncio ter sido classificado como possível tentativa de se passar por um programa social do governo.

A empresa afirmou que a desativação durou pouco mais de uma hora e que foi motivada por aplicação incorreta de sistema antifraude, não por razões políticas. A Meta complementou que a página oficial da campanha de Lula no Facebook e a conta no Instagram nunca foram bloqueadas, mantendo presença contínua nessas plataformas.

Problemas técnicos reportados pela empresa

A Meta relatou que, em 7 de outubro, "um incidente técnico" afetou os sistemas que contabilizam visualizações e reprises de Reels, impactando não apenas contas brasileiras, mas criadores em mais de 100 países. Durante aproximadamente cinco horas, as contagens de visualizações ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora o conteúdo continuasse sendo distribuído normalmente.

A empresa informou ainda que a campanha de Flávio Bolsonaro também entrou em contato para relatar o mesmo problema técnico. Posteriormente, em 9 de outubro, a Meta identificou falha global no Gerenciador de Anúncios, causada por atualização de código, que impediu temporariamente anunciantes de criar anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram.

Questões relacionadas à Meta AI

Usuários da Meta AI reportaram que a tecnologia recusava-se a gerar imagens de campanha de Lula, mas aceitava pedidos semelhantes para o candidato Flávio Bolsonaro. A Meta AI é um assistente de inteligência artificial integrado ao WhatsApp, Instagram e Facebook, funcionando de forma semelhante ao ChatGPT e permitindo criar textos, planejar atividades e gerar imagens.

Conforme a Meta, a lacuna identificada em 14 de outubro resultou de falha específica nas proteções da IA, não de viés político deliberado. A empresa explicou que, para cumprir regras eleitorais, havia proibido temporariamente a Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil, mas o sistema "bloqueava prompts que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos – incluindo 'Lula', 'Luiz Inácio Lula da Silva', 'Bolsonaro' e 'Flávio Bolsonaro' -, mas nem sempre reconhecia um candidato quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral".

Contexto regulatório e defesa da empresa

A Meta atribuiu parte dos desafios enfrentados às "regras rígidas do Brasil para conteúdo digital" que, na avaliação da empresa, "aumentam o risco de aplicação excessiva e ameaçam a liberdade de expressão". A corporação argumentou que, desde 2025, essas regulamentações ampliaram a responsabilidade das plataformas por conteúdo e anúncios gerados por terceiros.

Em seu posicionamento final, a Meta declarou que "cada um dos incidentes citados pela campanha de Lula tem uma explicação direta e documentada. Nenhum deles reflete direcionamento político. Nenhum reflete manipulação da distribuição. Nenhum reflete uma tentativa de influenciar a eleição". A empresa reafirmou seu compromisso com a neutralidade eleitoral e a aplicação uniforme de suas políticas.

Repercussões do protesto e perspectivas futuras

O protesto reflete tensões crescentes entre plataformas digitais, sociedade civil e instituições eleitorais no Brasil. A manifestação evidencia preocupações públicas acerca da capacidade de empresas tecnológicas influenciarem processos políticos através de algoritmos e decisões moderativas.

O Tribunal Superior Eleitoral continua monitorando a situação, enquanto a Meta busca demonstrar transparência e conformidade com determinações judiciais. O diálogo entre estes atores permanece crítico para garantir integridade eleitoral e confiança nas plataformas digitais durante períodos eleitorais no Brasil.

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