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Justiça Paraguaia ordena prisão preventiva de Santiago Peña

Justiça Paraguaia ordena prisão preventiva de Santiago Peña
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Prisão preventiva decretada contra ex-presidente Paraguaio

A Justiça do Paraguai determinou, no sábado (7), a prisão preventiva de Santiago Peña, ex-presidente do país que perdeu seu mandato através de processo de impeachment na sexta-feira (6). O magistrado Humberto Otazú, responsável pelo caso, ordenou a medida após solicitude do Ministério Público, que investiga o político por crimes de lesão de confiança, na condição de instigador, e administração em benefício próprio, como autor direto.

A decisão judicial atende a um requerimento formal apresentado pelo MP horas antes da audiência. Durante os procedimentos, o ex-presidente optou por manter silêncio completo diante das acusações. O juiz também informou estar analisando o pedido do Ministério Público para bloqueio dos bens de Peña, destacando que determinados pontos da solicitação ainda encontram-se sob avaliação pela instituição judicial.

Detalhes da prisão e contexto da investigação

Santiago Peña permanecerá detido no Regimento de Escolta Presidencial, unidade considerada adequada pelo magistrado em razão do acesso que o ex-presidente possui a informações sigilosas relacionadas ao sistema financeiro nacional e ao crime organizado, conhecimento adquirido durante seu período no cargo executivo. O magistrado Otazú enfatizou que a prisão preventiva garante que Peña permaneça no país durante o andamento do processo criminal.

O ex-presidente já estava sob prisão temporária desde a noite da sexta-feira (6), quando foi destituído do cargo por unanimidade pelos parlamentares. O Ministério Público havia determinado essa detenção inicial para assegurar que tanto Peña quanto Carlos Carvallo, ex-chefe do Banco Central, comparecessem para depoimento formal.

Acusações contra o ex-mandatário

As acusações contra Santiago Peña incluem abuso de confiança, tráfico de influência e administração em benefício próprio. Essas imputações fazem parte das investigações abrangentes sobre o caso Ueno Bank, que apura irregularidades envolvendo a instituição financeira digital e seus antigos dirigentes. Peña é apontado como um dos sócios do grupo controlador do banco digital, estando investigado por crimes diretamente relacionados ao escândalo financeiro.

A audiência onde Peña prestou depoimento ocorreu no sábado (7), na sede da Procuradoria-Geral do Ministério Público, em Assunção, por volta das 11h no horário de Brasília. Durante a sessão, o ex-chefe de Estado manteve sua estratégia de não responder perguntas.

A crise bancária que desencadeou a queda política

A crisis política no Paraguai originou-se da quebra do banco digital Ueno, instituição que deixou milhões de clientes sem acesso às próprias contas. Este colapso provocou protestos massivos em Assunção e intensificou a pressão política sobre o governo de Peña. O Banco Central paraguaio interveio na instituição após identificar sérios problemas em operações de crédito e irregularidades significativas na contabilização de ativos financeiros.

O órgão regulador do país também apontou que a instituição não dispunha de capital suficiente para continuar funcionando de maneira adequada. Investigadores descobriram que a instituição operava com estrutura financeira fragilizada e inadequada para manter suas operações.

Vínculos empresariais e conflitos de interesse

Santiago Peña passou a ser alvo central de acusações por seus vínculos empresariais diretos com o grupo controlador do Ueno. Registros indicam que o presidente manteve participação acionária na holding ligada ao banco até março de 2025, configurando potencial conflito de interesse. Esta conexão empresarial alimentou as suspeitas sobre envolvimento pessoal em irregularidades bancárias.

Sequência de eventos políticos

Na quinta-feira (5), o presidente anunciou que renunciaria voluntariamente ao cargo, afirmando que buscava preservar a estabilidade institucional do país e reforçar as democráticas. Contudo, sua decisão unilateral não encerrou o processo de impeachment em curso. Os parlamentares decidiram manter o julgamento em andamento, rejeitando a renúncia como solução encerrada.

Importante ressaltar que a saída voluntária de Peña poderia ter lhe garantido uma cadeira vitalícia no Senado e imunidade parlamentar, privilégio que teria evitado as implicações criminais atuais. A recusa legislativa em aceitar a simples renúncia frustrou essa estratégia.

Investigações ampliadas pelo Ministério Público

O Ministério Público abriu investigações criminais complementares sobre o caso Ueno Bank. As apurações envolvem não apenas Santiago Peña, mas também Pedro Alliana, vice-presidente da época, e diversas autoridades do Banco Central. Com a saída oficial de Peña, Alliana assumiu a Presidência para completar o mandato presidencial, que está previsto para terminar em agosto de 2028.

O desdobramento dos eventos políticos no Paraguai representa uma transição institucional significativa, com implicações para a governança e a responsabilidade política no país. As investigações continuam em curso, com potencial para desvelar responsabilidades adicionais nos envolvimentos com a crise bancária.

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