Jessé relembrado em tributo de Moisés Navarro

Tributo a Jessé: Moisés Navarro relembra legado do cantor fluminense
O cantor Jessé, falecido há 33 anos em trágico acidente de carro, ganha novo destaque através do álbum 'Alguém cantando', lançado por Moisés Navarro no mês de novembro. O projeto representa uma homenagem ao artista que marcou época na música brasileira e deixou um legado considerável apesar de sua breve trajetória profissional.
Jessé Florentino Santos nasceu em 25 de abril de 1952 em Niterói, no Rio de Janeiro, e faleceu em 29 de março de 1993, vítima de acidente automobilístico próximo à cidade de Ourinhos, São Paulo. Seu desaparecimento ocorreu poucos dias antes de completar 41 anos, interrompendo uma carreira que havia conquistado admiradores em todo o país.
Os primórdios de uma carreira em transformação
A trajetória de Jessé começou em 1976, marcando cinquenta anos de presença na indústria fonográfica brasileira. Inicialmente, o artista adotou o pseudônimo Christie Burgh, inspirado no cantor irlandês Chris de Burgh, que havia lançado a música 'Flying' em 1974. No Brasil, Jessé regravou a canção com a letra original em inglês no ano de 1976.
Entretanto, a similaridade entre os nomes gerou ameaça de processo legal, levando o cantor a adotar novo pseudônimo, Tony Stevens, mantido até 1977. Este período refletia uma tendência comum no mercado fonográfico brasileiro dos anos 1970, quando muitos artistas nacionais utilizavam identidades artísticas em inglês para se apresentarem como astros norte-americanos.
O sucesso com 'Porto solidão' no Festival MPB-80
O verdadeiro destaque da carreira de Jessé ocorreu em 1980, quando o artista apresentou a música 'Porto solidão' no Festival MPB-80, transmitido pela TV Globo. Anteriormente, Jessé havia atuado como vocalista do grupo Placa Luminosa, mas foi neste festival que conquistou reconhecimento nacional significativo.
A composição 'Porto solidão', de autoria de Zeca Bahia a partir de versos do poeta Antonio Ginco (conhecido como Gincko), tornou-se um dos maiores sucessos do evento. Este êxito impulsionou a carreira do cantor fluminense e consolidou seu nome na memória musical brasileira. Quarenta e seis anos após seu lançamento original, a música volta aos holofotes na interpretação de Moisés Navarro.
Discografia e produção musical
Após o êxito no Festival MPB-80, Jessé lançou seu primeiro álbum em 1980, que incluía as composições 'Campo minado' (de Mário Maranhão, Mário Marcos e Maximiliano) e 'Voa, liberdade' (também de Mário Maranhão em parceria com Eunice Barbosa e Mário Marcos). O álbum 'Jessé', lançado em 1982, trouxe sucessos como 'Onde está você' (composição de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini) e 'Solidão de amigos'.
Em 1983, o artista lançou o álbum duplo ao vivo 'O sorriso ao pé da escada', que consolidava seu repertório e demonstrava sua versatilidade interpretativa. Este projeto registrou apresentações de clássicos como 'A noite do meu bem' (Dolores Duran, 1959), 'Romaria' (Renato Teixeira, 1977) e 'Irmãos da lua' (também de Renato Teixeira, 1982).
O último trabalho de Jessé foi o álbum 'Raízes', lançado em 1992, apenas alguns meses antes de seu falecimento. Este trabalho incluía a canção 'Paz do meu amor', composição de Luiz Vieira de 1963, demonstrando a continuidade artística do cantor até seus últimos dias.
Novo álbum tributo: 'Alguém cantando'
O álbum 'Alguém cantando', sob direção musical do pianista Alexandre Vianna, responsável pelos arranjos das dez músicas, recebe o título inspirado na composição homônima de Caetano Veloso. Esta canção foi originalmente lançada por Caetano em 1977 no álbum 'Bicho' e posteriormente regravada por Jessé dez anos depois em seu álbum 'Eterno menino' (1997).
Moisés Navarro, cantor mineiro, apresenta uma releitura do repertório de Jessé que, embora louvável em sua iniciativa, apresenta certo desafio interpretativo. Mais da metade das músicas selecionadas não está fortemente associada na memória popular à voz potente característica do homenageado, o que pode enfraquecer a conexão imediata entre o álbum e o legado mais emblemático do artista fluminense.
O projeto inclui duetos e parcerias vocais, como a gravação de 'Porto solidão' com Claudya, além de colaborações especiais como a participação de Zeca Baleiro e Chico Lobo em 'Solidão de amigos'. Estas escolhas reforçam a intenção de criar uma experiência musical moderna e contemporânea, ajustando-se aos padrões atuais de produção fonográfica.
Legado e memória de Jessé
O falecimento de Jessé representou uma perda significativa para a música brasileira. Seu acidente em estrada próxima de Ourinhos ocorreu num momento em que ainda havia potencial para novas criações e apresentações. A carreira do artista, embora truncada, deixou marcas profundas em seus contemporâneos e na história musical do país.
O lançamento de 'Alguém cantando', programado para 13 de novembro pela Companhia de Discos do Brasil, demonstra o quanto o trabalho de Jessé permanece relevante para gerações posteriores de músicos. Moisés Navarro, ao escolher resgatar este repertório, contribui para manter viva a memória de um artista cuja voz e interpretação marcaram época na década de 1980.
Este tributo musical não apenas celebra o passado, mas também reafirma a importância de preservar a história da música popular brasileira, garantindo que artistas como Jessé não sejam esquecidos pelas novas gerações de ouvintes e apreciadores da música nacional.




