Flávio e Zema definem vices; confira as chapas presidenciais

Candidatos definem composição de chapas para eleição presidencial
Com o prazo de convenções partidárias terminando em 5 de agosto, as chapas presidenciais estão em fase final de definição. Entre os cinco principais candidatos à Presidência da República, dois ainda articulam a composição de suas chapas presidenciais, enquanto outros já formalizaram suas alianças. O registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ocorrerá até 15 de agosto.
A estratégia de escolha de vice nas chapas presidenciais envolve múltiplos cálculos políticos. A seleção do companheiro de chapa busca ampliar a base eleitoral, atrair novos segmentos de votantes e, frequentemente, fortalecer a presença em determinadas regiões geográficas e demográficas do país.
Flávio Bolsonaro busca vice entre mulheres
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) intensifica esforços para definir uma vice que componha suas chapas presidenciais com foco no eleitorado feminino, que representa 52,8% do corpo eleitoral brasileiro. Esta estratégia visa fortalecer a penetração da candidatura entre as mulheres votantes.
Na semana anterior, o candidato manteve reunião com Tereza Cristina (PP-MS), líder da bancada do PP no Senado Federal. A parlamentar, que exerceu o cargo de ministra da Agricultura durante o governo Jair Bolsonaro, sinalizou positivamente para compor a chapa. Contudo, a direção do Progressistas vetou sua participação, mantendo posição de neutralidade nas eleições presidenciais para preservar alianças estaduais e municipais.
Nos bastidores políticos, circulam outros nomes para as chapas presidenciais de Bolsonaro. Daniela Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo anterior, aparece entre os cotados. Também está na lista Renata Abreu (Podemos-SP), deputada federal e presidenta do Podemos. Ambos os cenários enfrentam obstáculos semelhantes: seus respectivos partidos pretendem manter neutralidade para consolidar alianças em eleições estaduais.
Romeu Zema e o impasse da definição de vice
Romeu Zema (Novo) ainda não finalizou a composição de suas chapas presidenciais, mesmo com a confirmação de sua candidatura ocorrida em 27 de julho. O ex-governador de Minas Gerais tentou articulações com nomes fora do partido para fortalecer sua candidatura.
O candidato aproximou-se de Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, que havia se lançado pré-candidato pelo Democracia Cristã. As negociações, porém, não avançaram conforme esperado. Zema também buscou atrair Geraldo Rufino, do Podemos, mas o empresário já estava comprometido com candidatura ao Senado Federal por São Paulo.
Diante das dificuldades em atrair políticos de outras legendas, fontes internas do partido Novo indicam que a tendência é Zema ter um vice oriundo da própria sigla, formando uma chapa "puro-sangue" que reforce a identidade partidária.
Lula e Alckmin reafirmam aliança para reeleição
As convenções nacionais do PT (realizada em 2 de agosto em São Paulo) e do PSB (ocorrida em 29 de julho em Brasília) oficializaram a repetição das chapas presidenciais que levaram Luiz Inácio Lula da Silva à vitória em 2022. Geraldo Alckmin (PSB) foi novamente confirmado como companheiro de chapa do presidente.
Geraldo Alckmin, que enfrentou Lula nas eleições de 2006 quando filiado ao PSDB, migrou para o PSB em movimento estratégico para derrotar Jair Bolsonaro. No atual governo, além da vice-presidência, Alckmin comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), atuando como interlocutor entre a administração federal e segmentos empresariais.
Durante as negociações comerciais com os Estados Unidos em contexto das tarifas impostas pelo governo norte-americano, Alckmin desempenhou papel central nas discussões. Na convenção do PT, o vice criticou a presença do presidente argentino Javier Milei na convenção de Flávio Bolsonaro e atacou questionamentos aos sistemas eletrônicos de votação levantados pela família Bolsonaro, afirmando que a urna eletrônica é "tão competente que não aceita voto de argentino e americano".
PSD tenta se posicionar como alternativa à polarização
Ronaldo Caiado (PSD) formalizou suas chapas presidenciais com Gilberto Kassab, presidente da legenda, no cargo de vice. A escolha reflete dificuldades do PSD em atrair outras legendas para composição e busca maior envolvimento do partido na campanha presidencial do ex-governador de Goiás.
A estratégia das chapas presidenciais do PSD está vinculada às eleições legislativas. A avaliação interna sugere que a dupla Caiado-Kassab oferece um palanque neutro para candidatos que desejam distanciar-se da polarização política nacional entre esquerda e direita.
Ao ser formalizado para o vice, Kassab enfatizou que as chapas presidenciais representam alternativa para um sistema político "contaminado", afirmando que "a República está podre" e que os Poderes estão comprometidos. Segundo o dirigente, o PSD está preparado para oferecer respostas que a sociedade demanda.
Missão aposta em discurso antissistema nas chapas presidenciais
O partido Missão não se coligou com outras legendas e apresenta Renan Santos como candidato à presidência, com Aroldo Medina como companheiro de chapa. A legenda fundamenta sua campanha em discurso crítico ao establishment político.
Aroldo Medina, militar da reserva, jornalista e editor especializado em história militar, possui histórico de diversas tentativas eleitorais sem sucesso desde 2002. Entre 2004 e 2018, filiou-se a quatro partidos diferentes: PFL (atual União Brasil), PRP, PSD e PV. Candidatou-se ao governo do Rio Grande do Sul em 2002 e 2010, além de disputar prefeitura de Canoas em 2004 e eleições para deputado estadual em 2014. Em 2024, Medina se filiou ao PL e candidatou-se a vereador de Porto Alegre, antes de integrar as chapas presidenciais do Missão com Renan Santos.




