Deputados EUA acusam Trump de interferência nas eleições no Brasil

Acusação de interferência política nos pleitos brasileiros
A interferência nas eleições do Brasil voltou a ser alvo de críticas de parlamentares americanos. Desta vez, doze deputados dos Estados Unidos enviaram uma carta formal ao Departamento de Estado, acusando a administração de Donald Trump de tentar influenciar indevidamente o processo eleitoral brasileiro. O documento foi protocolado junto ao secretário de Estado Marco Rubio na terça-feira, dia 6 de outubro, gerando novo incidente diplomático entre Washington e Brasília.
Todos os signatários da carta pertencem ao Partido Democrata, que mantém posição antagônica ao governo Trump. Esta é a terceira manifestação de congressistas norte-americanos em menos de um mês expressando preocupações sobre possíveis ações do Executivo americano direcionadas aos pleitos brasileiros.
Conteúdo da carta e denúncias específicas
Com três páginas de extensão, o documento apresenta uma série de acusações contra a administração americana. Os deputados argumentam que o Departamento de Estado promove uma "escalada desnecessária" que coloca em risco a estabilidade das relações bilaterais entre os dois países.
Um dos pontos centrais da carta refere-se à revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Esta medida, anunciada pelos EUA em agosto, foi justificada como retaliação pela demora do Brasil em aceitar a nomeação de Daniel Perez para o cargo de embaixador americano em Brasília.
"Essa decisão equivocada prejudica ainda mais a reputação dos Estados Unidos na região e aproxima o Brasil das mãos de nossos adversários", afirma trecho do documento apresentado pelos congressistas.
Exemplos de pressão econômica e política
Na avaliação dos deputados signatários, a revogação do visto foi apenas uma das várias ações adotadas pelo governo americano para exercer pressão sobre o resultado das eleições brasileiras. Como exemplos concretos, citam a aplicação de tarifas e sanções comerciais contra autoridades brasileiras, supostamente como punição pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro indicativo apontado na correspondência diz respeito a reportagens veiculadas pela imprensa que revelaram planos dos Estados Unidos de enviar duas autoridades para o Brasil, com o objetivo de suscitar questionamentos sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Questionamentos encaminhados ao Departamento de Estado
Os parlamentares democratas exigiram esclarecimentos de Marco Rubio quanto aos motivos que levaram à revogação do visto da embaixadora brasileira. Além disso, solicitaram explicações detalhadas sobre os propósitos específicos do envio de autoridades americanas ao Brasil em período que antecedeu os pleitos.
"Por que autoridades do Departamento de Estado buscaram examinar o sistema eleitoral do Brasil em meio a uma campanha presidencial em andamento e que evidências específicas o Departamento possui de que o sistema eleitoral brasileiro pode não ser confiável?", indaga o documento.
O prazo estabelecido pelos congressistas para o recebimento das justificativas foi fixado para 20 de outubro, anteriormente ao segundo turno das eleições brasileiras marcado para aquela semana.
Apelo para respeito à soberania democrática
Na conclusão da carta, os deputados enfatizam que as parcerias internacionais dos Estados Unidos prosperam quando contribuem para o fortalecimento da democracia, não quando patronam atores que participaram de tentativas de subversão da ordem constitucional.
"As relações entre os EUA e o Brasil devem ser baseadas no respeito às escolhas democráticas do povo brasileiro, e não determinadas pelo fato de o candidato apoiado pelo presidente Trump sair vitorioso," destaca passagem final do documento.
Histórico de protestos parlamentares
A carta enviada na terça-feira marca a terceira ocasião em que congressistas americanos formalizam denúncias sobre possível influência americana nos pleitos brasileiros. Em 24 de setembro, um grupo de 31 parlamentares havia endereçado correspondência semelhante a Rubio, acusando a gestão Trump de pressionar instituições brasileiras e comprometer a parceria estratégica bilateral.
Naquele documento, os congressistas solicitaram compromisso formal dos EUA de reconhecer e respeitar os resultados das eleições agendadas para outubro.
Cinco dias depois, em 29 de setembro, três senadores democratas enviaram nova carta ao secretário de Estado, cobrando garantias de que o governo americano aceitaria os resultados dos pleitos brasileiros sem questionamentos.
O documento dos senadores expressava "preocupação com ações do governo" que ameaçam a relação estratégica com o Brasil, apontando indícios de tentativa de interferência nas deliberações eleitorais do país sul-americano.




