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Chilena declarada desaparecida na ditadura Pinochet é encontrada viva

Chilena declarada desaparecida na ditadura Pinochet é encontrada viva
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Uma história surpreendente de desaparecimento e reencontro

Bernarda Vera Contardo é uma chilena que ficou conhecida por décadas como uma das vítimas de desaparecimento forçado durante a ditadura de Augusto Pinochet no Chile. No entanto, uma investigação conduzida pela emissora Chilevisión revelou que Bernarda Vera Contardo está viva e reside na Argentina há muitos anos, desafiando a versão oficial sobre seu desaparecimento em 1973.

A confirmação do paradeiro de Bernarda Vera Contardo foi oficializada através de testes de DNA realizados sob supervisão judicial. O ministro extraordinário chileno para causas de direitos humanos, Álvaro Mesa Latorre, ordenou o exame pericial que determinou uma probabilidade de identificação superior a 99,9999%, baseado no perfil genético armazenado no Banco Genético de Familiares de Prisioneiros e Executados Políticos do Serviço Médico Legal do Chile.

Os fatos que levaram ao desaparecimento

Em 1973, Bernarda Vera Contardo tinha apenas 27 anos de idade. Ela era casada, mãe de uma filha de cinco anos e trabalhava como professora em uma escola pública localizada em Puerto Fuy, no Complexo Madeireiro e Florestal Panguipulli, na região de Los Ríos, no sul do Chile. Sua vida foi marcada pelo ativismo político: ela era militante do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR) e do Movimento Camponês Revolucionário (MCR).

Segundo registros oficiais, Bernarda Vera Contardo foi detida em 10 de outubro de 1973, pouco dias após o golpe militar que levou Augusto Pinochet ao poder. A detensão ocorreu em Liquiñe, localizada na região da pré-cordilheira dos Andes. Testemunhas relataram que ela foi levada junto com outras 15 pessoas na ponte de Villarrica sobre o rio Toltén.

A versão oficial no Relatório Rettig

A Comissão da Verdade e Reconciliação foi estabelecida em 1990, durante o governo do presidente Patricio Aylwin, com o objetivo de investigar as violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar. Os pais de Bernarda Vera Contardo prestaram depoimento à comissão, relatando que perderam contato com a filha após o golpe de 1973.

O Relatório Rettig, publicado em 1991, incluiu Bernarda Vera Contardo entre as 1.469 vítimas de desaparecimento forçado documentadas no Chile. O relatório oficial afirmava que ela havia sido executada na ponte de Villarrica e permanecia desaparecida desde sua detenção. O documento indicava que agentes estatais atuaram em grupos coordenados, capturando prisioneiros em diversos locais e depois os matando, descartando seus corpos nas águas do rio.

A versão alternativa: testemunhos de companheiros

As primeiras dúvidas sobre a narrativa oficial surgiram através de um dos companheiros de militância de Bernarda Vera Contardo. José Manuel Bravo, ex-membro do MIR, registrou em seu testemunho arquivado no Museu de Neltume que um grupo de pessoas, incluindo Bernarda (conhecida pelo pseudônimo

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