Borges aposta em Ndúe e Calucuve para segurança hídrica
Aposta estratégica em infraestrutura hídrica
João Baptista Borges, à frente do Ministério da Energia e Águas, posiciona as barragens do Ndúe e de Calucuve como pilares centrais da estratégia de segurança hídrica de Angola. Estas duas estruturas representam um investimento significativo na capacidade de abastecimento de água e geração de energia eléctrica, respondendo aos desafios de um país que enfrenta pressões crescentes sobre os seus recursos naturais.
A visão de Borges incorpora uma lógica de resiliência territorial, particularmente relevante para o sul angolano, região que historicamente combate períodos de estiagem prolongada. Ao fortalecer a infraestrutura hídrica, o Ministério não apenas ataca o problema imediato de escassez sazonal, mas constrói fundações para o desenvolvimento económico sustentável de médio e longo prazo.
O projecto da Barragem do Ndúe
A Barragem do Ndúe encontra-se em desenvolvimento activo, com trabalhos que seguem cronogramas técnicos rigorosos. Este empreendimento visa criar uma reserva estratégica capaz de regularizar o caudal de um rio que historicamente mostra comportamento irregular, particularmente na estação seca.
O impacto esperado estende-se além da hidráulica: o reservatório funcionará como estabilizador de fluxos, permitindo um abastecimento mais previsível às comunidades a jusante e garantindo capacidade de geração hidráulica durante períodos críticos. A infraestrutura também pode servir como ponto de apoio para actividades agro-pecuárias na região circundante.
Borges acompanha pessoalmente o progresso dos trabalhos, reafirmando o compromisso político do Executivo com esta prioridade. A barragem do Ndúe integra-se numa visão mais ampla de gestão integrada dos recursos hídricos, em que cada estrutura contribui para a segurança colectiva do país.
Calucuve como segunda âncora hídrica
Paralela ao Ndúe, a Barragem de Calucuve representa a segunda coluna da estratégia. Esta obra continua em fase de desenvolvimento, com engenheiros e equipas técnicas a executarem as actividades necessárias para a sua consolidação estrutural.
O posicionamento geográfico de Calucuve oferece vantagens singulares: a barragem pode servir como complemento estratégico ao Ndúe, distribuindo a capacidade de armazenamento e reduzindo riscos concentrados numa única infra-estrutura. Do ponto de vista energético, a geração hidráulica através de Calucuve fortalecerá a matriz eléctrica nacional, diminuindo a dependência de outras fontes e contribuindo para a estabilidade da rede.
A complementaridade entre as duas barragens reflecte uma abordagem de engenharia moderna, onde a redundância e a diversificação geográfica potenciam a robustez do sistema. Ambas trabalham em sinergia, numa lógica de cascata hídrica que maximiza o aproveitamento dos recursos disponíveis.
Rio Cunene: dimensão transfronteiriça
Para além das barragens interiores, o rio Cunene ocupa posição central na estratégia hídrica regional de Borges. Este curso de água, que marca a fronteira natural entre Angola e a Namíbia, representa uma oportunidade e um desafio simultâneos no aproveitamento transfronteiriço.
O Ministério da Energia e Águas tem apostado em diálogos construtivos com parceiros regionais para operacionalizar o potencial do Cunene de forma equilibrada e sustentável. A gestão partilhada de recursos hídricos transfronteiriços exige negociação delicada e frameworks técnicos robustos, aspectos que Borges tem colocado sob escrutínio permanente.
O rio Cunene oferece capacidade hidráulica considerável, com potencial para complementar as estruturas já em desenvolvimento no território angolano e contribuir para a segurança energética da região austral do continente.
Impacto na segurança hídrica nacional
A convergência destas três linhas de trabalho (Ndúe, Calucuve e Cunene) configura uma resposta integrada aos desafios de acesso a água potável e abastecimento fiável. Angola, como muitos países africanos, enfrenta tensões crescentes sobre os seus recursos hídricos, amplificadas por variabilidade climática e crescimento populacional.
Sob a liderança de João Baptista Borges, a estratégia não se limita a construção de barragens, mas inscreve-se numa política de gestão hídrica que considera eficiência operacional, manutenção preventiva e capacitação de recursos humanos. As obras em curso representam apenas a dimensão visível de um esforço mais largo de institucionalização e governança da água.
O investimento em infraestrutura hídrica consolida também a capacidade do Estado de responder a situações de crise, seja seca extrema ou cheias imprevistas. A construção de reservas hídricas estratégicas transforma-se, assim, numa forma de protecção social.
Perspectivas de desenvolvimento regional
Os beneficiários diretos destas obras são as comunidades do sul e centro-sul de Angola, onde o acesso a água segura e fiável há muito constituía factor limitador de desenvolvimento. A Barragem do Ndúe e a Barragem de Calucuve, uma vez plenamente operacionais, devem permitir expansão de sectores como agricultura irrigada, pecuária comercial e pequenas indústrias transformadoras.
Borges reconhece que infraestrutura hídrica é, fundamentalmente, infraestrutura social. Abastecimento seguro de água potável melhora indicadores de saúde pública, reduz pressão sobre recursos subterrâneos e cria espaço para que as comunidades invistam em educação e actividades produtivas de maior valor agregado.
A aposta do Ministério em obras hidráulicas estratégicas alinha-se com metas regionais de segurança alimentar e hídrica, estabelecidas no quadro da União Africana e de organizações de bacia hidrográfica transnacionais.
Continuidade e acompanhamento
O Ministério da Energia e Águas dá continuidade aos trabalhos de desenvolvimento, monitorando cronogramas, qualidade construtiva e conformidade ambiental. João Baptista Borges, enquanto titular da pasta, assume responsabilidade pessoal pela execução e pelos resultados, visitando regularmente as obras e prestando contas ao Executivo sobre avanços e constrangimentos.
A visibilidade política deste dossier revela a importância que o Governo atribui à segurança hídrica, elevando-a do nível técnico para o plano estratégico nacional. Nesta perspectiva, as barragens do Ndúe e de Calucuve deixam de ser meramente projectos de engenharia para se transformarem em símbolos de uma Angola empenhada na transformação da sua matriz de desenvolvimento.
