Um projeto de lei aprovado em comissão no Senado pode trazer grandes mudanças para o mundo das apostas esportivas no Brasil. O texto, que proíbe a publicidade de bets, avançou no Congresso e pode ter um impacto direto sobre os clubes de futebol, que dependem cada vez mais desses patrocínios para manter suas finanças em dia.
A proposta, que ainda precisa ser aprovada pelo plenário do Senado e pela Câmara dos Deputados, tem gerado debates acalorados entre os defensores e críticos da medida. Enquanto alguns acreditam que a proibição da publicidade de bets é uma forma de proteger os consumidores e combater a ludopatia, outros argumentam que a medida pode prejudicar os clubes e o próprio mercado de apostas esportivas no país.
Para entender melhor o impacto dessa proposta, é preciso primeiro entender o cenário atual das apostas esportivas no Brasil. Desde 2018, quando a Lei 13.756/18 foi aprovada, as apostas esportivas passaram a ser regulamentadas no país. Com isso, as empresas de apostas, conhecidas como “bets”, puderam operar legalmente no mercado brasileiro.
Com a regulamentação, os clubes de futebol viram uma oportunidade de aumentar suas receitas através de patrocínios dessas empresas. E não é para menos, já que o mercado de apostas esportivas movimenta bilhões de reais por ano no Brasil. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, o mercado de apostas esportivas pode chegar a movimentar cerca de R$ 6,7 bilhões em 2021.
No entanto, o projeto de lei aprovado em comissão no Senado pode mudar esse cenário. Se aprovada, a medida proibirá a publicidade de bets em todo o território nacional, incluindo a divulgação de marcas em uniformes de clubes e em eventos esportivos. Além disso, a proposta também prevê a criação de um cadastro nacional de jogadores, com o objetivo de combater a ludopatia.
Para os defensores da medida, a proibição da publicidade de bets é uma forma de proteger os consumidores, principalmente os mais jovens, que são mais vulneráveis ao vício em jogos de azar. Além disso, alegam que a exposição excessiva à publicidade de apostas pode incentivar o comportamento impulsivo e irresponsável dos jogadores.
Por outro lado, os críticos da proposta argumentam que a proibição da publicidade de bets pode prejudicar os clubes de futebol, que dependem cada vez mais desses patrocínios para manter suas finanças em dia. Com a crise econômica causada pela pandemia, os clubes viram suas receitas diminuírem drasticamente e os patrocínios de empresas de apostas se tornaram uma importante fonte de renda.
Um exemplo disso é a Portuguesa, que recentemente fechou um patrocínio master com uma empresa de apostas esportivas. No entanto, com a possível proibição da publicidade de bets, o clube pode perder esse patrocínio e ter suas finanças ainda mais prejudicadas.
Além disso, a proibição da publicidade de bets pode ter um impacto negativo sobre o próprio mercado de apostas esportivas no Brasil. Com menos visibilidade e oportunidades de divulgação, as empresas de apostas podem ter dificuldades em atrair novos clientes e manter suas operações no país.
Diante desse cenário, é importante que o debate sobre a proibição da publicidade de bets seja feito de forma equilibrada e com base em dados e estudos. É preciso encontrar um equilíbrio entre a proteção dos consumidores e a manutenção da saúde





