A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou recentemente uma carta de Ano-Novo, manifestando sua preocupação com alguns retrocessos no campo da ética e do cuidado com os pobres. A entidade, que reúne os bispos da Igreja Católica no país, fez um balanço crítico de 2025 e apontou desafios e conquistas para o ano que se inicia.
Em relação à democracia, a CNBB expressou sua preocupação com as profundas tensões e retrocessos sociais que fragilizaram a confiança nas instituições. A entidade defende que a democracia é um patrimônio do povo brasileiro e exige cuidado, diálogo e respeito aos freios e contrapesos institucionais.
No entanto, a carta também destaca algumas vitórias celebradas em 2025, como o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a queda da taxa de desemprego. Além disso, a CNBB valorizou o protagonismo do Brasil em energias renováveis e a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), reforçando o compromisso com o cuidado do planeta Terra e o combate à crise climática.
No campo da ética, a entidade denunciou a perda de decoro e a falta de responsabilidade por parte de algumas autoridades, especialmente no Congresso Nacional. Além disso, a CNBB criticou o aumento da corrupção na vida pública e a flexibilização de marcos legais, como a Lei da Ficha Limpa e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental.
A entidade também destacou a ameaça à proteção ambiental e aos povos originários e tradicionais, com a aprovação do marco temporal no Congresso Nacional. Além disso, a CNBB condenou o discurso de ódio, a manipulação da verdade e o aumento de crimes como o feminicídio.
Outro ponto abordado pela CNBB foi o pagamento de juros e amortizações da dívida, que deixa o país sem capacidade de investimento em áreas como educação, saúde, moradia e segurança. A desigualdade social também foi mencionada como um desafio a ser enfrentado, pois continua marginalizando muitos brasileiros.
A carta também reafirma a posição firme da Igreja Católica contra qualquer iniciativa de legalização do aborto e defende a sacralidade da vida desde a concepção até o seu fim natural. Além disso, a CNBB ressalta que defender a vida também implica lutar contra a fome, a miséria e a desigualdade, e que nenhum projeto político pode se sobrepor à vida, ao respeito à pessoa humana, à justiça social e ao cuidado com a casa comum.
Apesar dos desafios, a CNBB acredita que é possível reencontrar o caminho da pacificação, do diálogo e do respeito mútuo. A entidade cita o sonho de dom Helder Câmara e a poesia de Thiago de Mello para reforçar que, mesmo diante das dificuldades, a esperança deve ser a força transformadora para o ano de 2026.
Fundada em 1952, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem a função de coordenar a ação evangelizadora e pastoral da Igreja Católica e promover o bem comum e a justiça social. Além de atuar em questões religiosas, a CNBB também tem voz ativa na sociedade civil e frequentemente trata de temas como direitos humanos, ética e política, por meio de iniciativas como a Campanha da Fraternidade.
Em resumo, a carta da CNBB é um importante alerta





