Somos herdeiros de uma luta histórica, dizia Luiza Bairros. Essa frase resume a importância e o legado deixado por essa intelectual negra que faleceu em 2016. Sua trajetória é revisitada na exposição “Luiza Bairros: Lentes e Voz”, inaugurada nesta segunda-feira (24), na Fundação Palmares, em Brasília.
A mostra é uma verdadeira homenagem à vida e obra de Luiza Bairros, que sempre foi uma referência central do feminismo negro. Ela foi uma das maiores articuladoras da segunda Marcha Nacional das Mulheres Negras, que acontece nesta terça-feira (25), em Brasília. E é simbólico que a exposição seja lançada justamente na véspera dessa importante manifestação.
A curadora Martha Rosa, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, destaca que a exposição traça um panorama completo da vida de Luiza Bairros. Com fotos, registros de sua atuação no movimento negro, sua participação na formulação de políticas públicas e sua atuação em instituições de movimentos sociais, a mostra é uma verdadeira imersão na história dessa grande mulher.
Além disso, a exposição conta com peças produzidas por artistas plásticas de diferentes cidades do país, expressando suas visões sobre Luiza Bairros. É uma forma de mostrar como essa figura influenciou e inspirou diversas pessoas ao longo de sua vida.
A sobrinha de Luiza, Fernanda Bairros, esteve presente na inauguração da mostra e afirmou que não é apenas a sobrinha da intelectual, mas sim “fruto do projeto político construído” por ela. Fernanda lembrou que a tia dedicou sua vida inteira para a causa de combate ao racismo e ao sexismo.
Já o presidente da Fundação Palmares, João Jorge, ressaltou o legado deixado por Luiza e sua atuação na política institucional. Ele afirmou que todas as mulheres que estão na política hoje são descendentes de Luiza Bairros, Lélia Gonzales e Beatriz Nascimento, figuras importantes que vieram antes e abriram caminho para que as mulheres negras pudessem ocupar espaços de poder.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, também esteve presente no evento e lembrou que conheceu Luiza em sua atuação na Fundação Palmares, lugar que foi referência para que artistas negros e negras tivessem a oportunidade de realizar trabalhos em âmbito nacional. Para ela, essa exposição é uma forma de manter vivo o legado de Luiza e permitir que as novas gerações se aproximem e conheçam essa importante figura.
Amiga de longa data de Luiza Bairros, a filósofa Sueli Carneiro destacou a saudade que sente da ativista. Ela afirmou que sente falta da inteligência, da companheira e da amiga, especialmente em um momento tão difícil como o que estamos vivendo atualmente. Sueli agradeceu a curadoria de Martha Rosa e destacou que a exposição não é apenas uma rememoração de Luiza, mas uma forma de manter viva sua luta histórica.
Que essa exposição seja um canal para que a luta travada por Luiza e por todos nós que estamos aqui chegue a mais e mais brasileiros, de todas as raças e etnias, em todo o território nacional. Como Luiza dizia, e nós defendemos, não temos um projeto do movimento negro apenas para o negro, mas sim um projeto negro para o Brasil. E é isso que devemos continuar lutando e defendendo, em nome de Luiza Bairros e de todas as mulheres negras que vieram antes de nós e deixaram seu legado





