A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, emocionou-se, nesta segunda-feira (24), em Brasília, ao lembrar da luta de sua irmã, a vereadora Marielle, durante evento com ativistas do movimento negro, na véspera da Marcha das Mulheres Negras.
Marielle foi brutalmente assassinada no Rio de Janeiro, em março de 2018. Sua morte foi um duro golpe para a comunidade negra e para todos aqueles que lutam por igualdade e justiça social.
Ao participar de uma roda de conversa com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e as deputadas Benedita da Silva (PT-RJ) e Erika Hilton (PSOL-SP), em evento organizado pelo Movimento “Mulheres Negras Decidem”, Anielle Franco destacou a importância da Marcha das Mulheres Negras e como ela se tornou um símbolo de luta e resistência para as mulheres negras de todo o país.
Ela ressaltou que a marcha não é apenas um ato de protesto, mas sim um momento de união e fortalecimento da coletividade para enfrentar todas as formas de opressão. E, este ano, a marcha contará com a presença de representações estrangeiras, mostrando que a luta das mulheres negras é uma causa global.
Anielle falou também sobre a presença de mulheres que estão na linha de frente do enfrentamento diário contra a violência e a discriminação, e como a marcha é também uma forma de honrar a memória de mulheres que perderam suas vidas durante a luta, como sua irmã Marielle e a líder quilombola Bernadette, assassinada em 2023.
Entre as pautas da marcha, a ministra destacou a demanda por segurança pública, lembrando dos 122 mortos durante a Operação Contenção no Rio de Janeiro, e a presença de mães do Complexo do Alemão e da Penha, que compartilham a dor de perder seus filhos para a violência. Além disso, Anielle ressaltou a importância de abordar temas como educação, saúde, cultura e lazer, que são fundamentais para garantir uma vida digna para as mulheres negras.
Outro tema abordado durante o evento foi o “racismo ambiental”, que mostra como grupos vulneráveis, como comunidades negras e indígenas, sofrem de forma desproporcional os impactos das mudanças climáticas. A ministra Marina Silva destacou a importância de incluir pautas sobre combate ao racismo ambiental e preservação dos direitos sociais durante a marcha.
Além disso, Marina Silva enfatizou a necessidade de garantir às mulheres negras o direito ao empreendedorismo, já que muitas vezes as oportunidades não chegam para elas da mesma forma e com o mesmo suporte que para outras mulheres. Ela também lamentou a falta de representatividade das mulheres negras em cargos de liderança no setor público e privado.
Uma trabalhadora que sente na pele as opressões e desigualdades enfrentadas pelas mulheres negras é a paulistana Pamella de Jesus, de 32 anos. Ela é uma das 8 mil mulheres que atuam como operadora de telemarketing em São Paulo e também é sindicalista. Pamella conta que, em seu local de trabalho, 90% das funcionárias são negras e muitas são mães solo, assim como ela. Ela destaca que, além de enfrentar longas jornadas de trabalho e metas inalcançáveis, as mulheres negras também são alvo de assédio moral e sexual.
Pamella acorda todos os dias às 5h, cuida de sua filha de quatro anos e segue para o trabalho. Uma rotina cansativa e desafiadora, mas que não a impede de l





