A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) está sendo marcada por intensas negociações e manifestações de indígenas na Zona Azul, em Belém. Enquanto os representantes dos países buscam soluções para enfrentar a crise climática, os povos tradicionais reivindicam seus direitos e denunciam ações que ameaçam seus territórios e modos de vida.
Desde o início da COP30, as manifestações dos povos indígenas têm ganhado destaque. Eles exigem a demarcação de terras e denunciam a atuação de empresas do Canadá, que promovem a mineração em diversos países da América, incluindo o Brasil. Com cartazes e cânticos, os indígenas chamam a atenção de negociadores e observadores presentes na conferência.
Essas manifestações ocorrem em meio às negociações que buscam encontrar soluções para a crise climática. No entanto, os povos indígenas entendem que suas vozes e demandas não estão sendo ouvidas e, por isso, decidiram se manifestar durante a COP30. Eles exigem a saída de empresas canadenses de seus territórios e a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que prevê a privatização de empreendimentos públicos federais do setor hidroviário nos rios Madeira, Tocantins e Tapajós.
Essas manifestações não são novidade na COP30. Desde o início da conferência, diversos grupos de indígenas, agricultores, ribeirinhos, quilombolas e outras comunidades tradicionais se reuniram para reivindicar maior participação nos espaços de decisão. Eles entendem que suas vozes precisam ser ouvidas, já que são os mais afetados pelas consequências da crise climática.
Um dos momentos mais marcantes foi a Plenária dos Povos, organizada pela rede Climate Action Network – International, que reúne mais de 1.300 organizações não governamentais de cerca de 130 países. Nessa plenária, as lideranças indígenas puderam compartilhar suas experiências e reivindicações em relação à crise climática.
Além disso, a COP30 também foi palco de outras manifestações populares. A Cúpula dos Povos, realizada em paralelo à conferência, reuniu cerca de 20 mil pessoas de 1,3 mil movimentos sociais e a sociedade civil para discutir e apresentar demandas. A Marcha Mundial pelo Clima, que ocupou as ruas de Belém com cerca de 70 mil pessoas, foi um dos momentos mais expressivos da mobilização popular.
Os povos indígenas também tiveram um espaço especial na COP30, a AldeiaCOP, que abrigou cerca de três mil pessoas. Lá, eles puderam compartilhar suas culturas, realizar rituais e reivindicar seus direitos. A casa espiritual, onde eram realizados rituais de cura e medicina ancestral, foi um dos destaques da AldeiaCOP.
No entanto, as manifestações também foram marcadas por momentos de tensão. No dia 12 de novembro, lideranças do povo munduruku entraram na Zona Azul e foram retirados pela segurança do evento. Eles reivindicavam o fim da privatização de empreendimentos no Rio Tapajós e a construção da Ferrogrão, ferrovia que causará impactos em seus territórios.
Apesar desses conflitos, a COP30 também foi um espaço de diálogo e negociação. Lideranças indígenas foram recebidas pelo presidente da conferência, André Corrêa do Lago, e pelo ministro da Secretaria-Geral da Presid





