Moradores dos Complexos do Alemão e da Penha protestam contra a violência e pedem justiça
Na última quarta-feira (29), moradores dos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, se uniram em um protesto em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do estado. O motivo do ato foi a operação policial que ocorreu na região e resultou em mais de 100 mortes. Os manifestantes acusam o governador Claudio Castro de liderar uma “carnificina” e exigem justiça para as vítimas.
O grupo foi escoltado do Complexo da Penha até o Palácio Guanabara por policiais do Batalhão Tático Móvel da Polícia Militar. Com cartazes e faixas, os manifestantes expressaram sua indignação e revolta com a situação. Frases como “estado genocida”, “todas as vidas importam” e “Castro assassino” foram exibidas, além de bandeiras do Brasil com manchas vermelhas, simbolizando o sangue derramado.
Entre os manifestantes, estavam mães de vítimas da operação, que questionavam a ação policial e pediam por justiça. “Arrancaram o braço dele”, disse uma mãe, referindo-se ao filho que foi morto durante a operação. O chefe da ONU, António Guterres, também se pronunciou sobre o caso e pediu uma investigação sobre as mortes. A Anistia Internacional classificou a operação como “desastrosa” e exigiu uma apuração imediata.
Durante o protesto, Rute Sales, moradora da região e ativista negra, afirmou que o governador deve ser responsabilizado pelas mortes. “Não é possível que esse governador não seja responsabilizado por tantas vidas. Ou nós já temos pena de morte no país? O que aconteceu dentro da comunidade foi um genocídio. Toda véspera de eleição, tem uma estratégia de entrar nas nossas comunidades, matar o nosso povo e causar o terror”, disse.
Outra moradora, que preferiu não se identificar, afirmou que os corpos estão sendo usados politicamente e que as vítimas são sempre os moradores das comunidades pobres e negras. “Os corpos que tombam são os nossos, do povo preto e do povo pobre. Não aguentamos mais”, desabafou.
O protesto ocorreu pouco antes da reunião entre o governador Claudio Castro e o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Durante o encontro, foi anunciada a criação de um escritório emergencial para enfrentar o crime organizado no estado e melhorar a integração entre as esferas federal e estadual.
A coordenação do escritório será compartilhada entre o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, e o secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos. Além disso, o governo federal se comprometeu a aumentar o efetivo da Polícia Rodoviária Federal em 50 agentes nas estradas e o efetivo de agentes de inteligência no estado. Também foram disponibilizados peritos e vagas nos presídios federais, caso o governo estadual requisite.
Apesar do número de mortos, do caos que tomou conta da cidade e das denúncias de moradores sobre execuções e torturas nas comunidades, o governador Claudio Castro afirmou que a operação foi um sucesso e que as únicas vítimas dos confrontos foram os quatro policiais mortos. Ele ainda disse que a ação foi um “duro golpe na criminalidade” e que não houve precipitação das forças de segurança.
No entanto, a realidade vivida pelos moradores dos Complexos do





