A demência é um dos maiores desafios de saúde pública enfrentados pela população idosa em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 47 milhões de pessoas sofrem de demência, e a cada ano, 9,9 milhões de novos casos são registrados. No Brasil, estima-se que 1,2 milhão de pessoas tenham algum tipo de demência, sendo a doença de Alzheimer a mais comum. Diante dessa realidade preocupante, qualquer avanço no tratamento ou prevenção é motivo de comemoração. E é exatamente isso que um novo estudo traz: a possibilidade de duas vacinas reduzirem em até 37% o risco de demência em idosos.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e publicada recentemente na revista científica Frontiers in Aging Neuroscience, analisou o impacto das vacinas contra herpes zoster e VSR (vírus sincicial respiratório) na saúde cognitiva de idosos. O estudo acompanhou mais de 7 mil pessoas com mais de 65 anos de idade, durante um período de 24 anos, e constatou que aqueles que receberam ambas as vacinas apresentaram um risco significativamente menor de desenvolver demência.
A vacina contra herpes zoster, também conhecida como vacina da catapora, é recomendada para pessoas com mais de 60 anos e previne o surgimento da doença, que pode se manifestar em forma de erupções cutâneas dolorosas. Já a vacina contra VSR, indicada para idosos com mais de 65 anos, protege contra infecções respiratórias graves, como a pneumonia. Ambas as vacinas já são amplamente utilizadas em diversos países, incluindo o Brasil.
No estudo, os participantes que receberam a vacina contra herpes zoster apresentaram uma redução de 21% no risco de demência em comparação com aqueles que não foram vacinados. Já aqueles que receberam a vacina contra VSR tiveram uma diminuição de 16% no risco. E o grupo que recebeu ambas as vacinas teve uma redução ainda maior, de 37%. Além disso, os pesquisadores também observaram que, entre os idosos que desenvolveram demência, aqueles que foram vacinados apresentaram um declínio cognitivo mais lento em comparação com os não vacinados.
Mas como essas vacinas podem proteger o cérebro contra a demência? Segundo os cientistas, a explicação está no fato de que tanto o herpes zoster quanto o VSR podem causar inflamações no corpo, incluindo no cérebro. Essas inflamações crônicas estão diretamente relacionadas ao surgimento de doenças neurodegenerativas, como a demência. Portanto, ao prevenir essas infecções, as vacinas também contribuem para a redução da inflamação e, consequentemente, para a proteção do cérebro.
Os resultados do estudo reforçam a importância da vacinação na prevenção de doenças e na promoção da saúde. Além disso, destacam a necessidade de se investir em políticas públicas que garantam o acesso às vacinas para a população idosa, especialmente em países em desenvolvimento, onde o acesso à saúde é mais limitado.
É válido ressaltar que, apesar dos resultados promissores, o estudo não estabelece uma relação direta de causa e efeito entre as vacinas e a redução do risco de demência. Outros fatores, como estilo de vida e histórico familiar, também podem influenciar no desenvolvimento da doença. No entanto, os pesquisadores afirmam que os resultados são bastante significativos e abrem caminho para novas pesquisas na área.
Além disso, é importante destacar que a vac





