O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB) está recebendo a exposição Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará, uma iniciativa do Museu das Mulheres. A mostra, que começa nesta quarta-feira (11), reúne 170 obras de 11 fotógrafas paraenses de diferentes gerações, em uma experiência que incorpora recursos sensoriais e tecnológicos.
Entre as artistas presentes na exposição, estão nomes pioneiros como Leila Jinkings, Cláudia Leão, Bárbara Freire, Paula Sampaio e Walda Marques, além de artistas mais jovens, como Deia Lima e Jacy Santos. A diversidade de gerações e estilos traz uma riqueza ainda maior para a mostra, que aborda temas como identidade, território, memória, ancestralidade e resistência.
Uma das grandes novidades da exposição é a possibilidade de explorar parte das fotografias em realidade aumentada. Na Instalação Icamiabas, o público pode ter acesso às composições aromáticas inspiradas em guerreiras indígenas amazônicas. Já no filme de realidade virtual Mukathu-hary (“Curandeira”, em tupi), os espectadores são transportados para uma aldeia indígena de paisagem milenar. Além disso, as salas da exposição trazem narrativas visuais que promovem uma imersão completa no universo das fotógrafas paraenses.
Para a fotógrafa Evna Moura, participar da exposição é um reencontro com sua própria trajetória. Suas obras, que dão destaque às ilhas e comunidades amazônicas, como Combu e Marajó, são apresentadas em diferentes fases de seu olhar. Entre as fotografias expostas, há registros em preto e branco, coloridos e também as chamadas fotos expandidas, que exploram a arte e a experimentação técnica. Um exemplo são os trabalhos feitos a partir de impressões em folhas, no método de fototipia com pigmentos naturais.
Além de sua produção artística, Evna também é educadora e destaca o impacto que seu trabalho tem na formação de novas gerações. “Já encontrei ex-alunos que hoje são formados em artes visuais e dizem que escolheram esse caminho por causa das oficinas que ministrei. É muito bonito ver esses encontros”, conta a fotógrafa.
A presença da Amazônia como eixo central de sua produção também aparece como elemento político e simbólico, que ajuda a romper visões estereotipadas. “Durante muito tempo, nossa identidade foi ferida. Nossos traços e nossa cultura não eram valorizados. Trazer esses elementos para o Sudeste é também afirmar outras narrativas sobre nós. Mostrar uma Amazônia que não é apenas a da miséria, mas também da riqueza cultural, estética e humana”, afirma Evna.
Outro nome fundamental da fotografia paraense, Leila Jinkings, também está presente na exposição com registros produzidos desde o final dos anos 1970. Entre as obras selecionadas, ela destaca imagens de povos indígenas, travestis e registros de manifestações políticas. “Gosto muito das fotografias do povo Kayapó. São imagens que levantam reflexões sobre choque cultural com os não indígenas”, diz Leila.
A fotógrafa relembra também o contexto histórico de parte de sua produção. “Fotografei repressões durante a ditadura. Era um período duro, mas fundamental para compreender o papel da imagem para trazer luz para aqueles acontecimentos tão difíceis”, conta Leila.
A curadora Sissa Aneleh explica que a organização da exposição reflete uma leitura





