O Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançou uma nova campanha que tem como objetivo destacar a contribuição da cultura negra para o carnaval e combater a discriminação e violências. Com adesivos e leques, a ideia é lembrar que ofender uma pessoa com base na cor de pele é um ato de injúria racial, assim como advertir que fantasias estereotipadas, como a de “nega maluca” e a de indígena”, não combinam com a folia.
“Não cabem mais fantasias depreciativas sobre a cultura negra, religiões afro, personagens negras, muito menos mulheres negras. Isso não dá mais”, disse o secretário de Combate ao Racismo do ministério, Tiago Santana. A campanha tem como objetivo enfrentar as agressões diretas e as injúrias, mas também lembrar que temas e a estética negra, como o cabelo, não devem ser alvo de piadas e chacotas.
A ação, intitulada “Sem racismo o carnaval brilha mais”, será ampliada em 2026 para incluir o carnaval de rua, bailes, blocos, desfiles de escolas de samba e a própria Sapucaí, no Rio de Janeiro. Também estão previstas ações na Bahia e nos 30 municípios que aderiram ao Programa Juventude Negra Viva.
O material educativo será divulgado durante os dias de festa, com o objetivo de incentivar as vítimas a registrarem denúncias por meio do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ou da Ouvidoria do Ministério da Igualdade Racial, pelo e-mail: [email protected]. Ambos os órgãos podem oferecer suporte e auxiliar na formalização das denúncias em órgãos oficiais, como as delegacias de polícia.
De acordo com o secretário, a orientação do governo é combater o racismo. “A prática de denunciar e criar medidas para que haja punição é o pilar fundamental da Política Nacional de Igualdade Racial”, explicou.
Uma das novidades desta edição é a parceria com a Liga RJ, entidade que organiza os desfiles das escolas de samba do grupo de acesso, a chamada Série Ouro. A entidade se comprometeu a distribuir o material em ensaios técnicos e apresentações na Sapucaí. No dia 13 de fevereiro, quando começa a competição, o ministério desfilará com uma faixa, distribuindo as peças, ao lado de ativistas, lideranças e pessoas ligadas às escolas de samba. “Sinalizaremos para aqueles eventuais racistas que eles não são invisíveis e que faremos pressão para que, caso cometam algum ato criminoso, prestem contas e sejam punidos”, frisou Santana.
Com essa medida, o secretário pretende também dar visibilidade à construção do carnaval pelas pessoas negras, que fundaram as primeiras escolas. “Acontece hoje um processo de embranquecimento, de apagamento da presença negra no carnaval. Então, quando a gente combate o racismo, também enfrentamos essa desestruturação interna”, destacou. Nos últimos anos, o fato de boa parte do corpo de jurados dos desfiles das escolas cariocas ser branca levantou o debate sobre essa questão.
A ministra Anielle Franco disse, em nota, que o carnaval é um momento de diversão, mas também de respeito. “Lançamos essa campanha para cuidar e respeitar as mãos negras de quem faz acontecer e também se diverte no maior espetáculo da terra”, ressaltou





