Espécie vive isolada no topo da Serra do Divisor, tem comportamento incomum e já preocupa pesquisadores pela alta vulnerabilidade
A natureza sempre nos surpreende com suas maravilhas e mistérios. E no topo da Serra do Divisor, localizada na divisa entre o Acre e o Peru, uma espécie de primata vem chamando a atenção de pesquisadores e especialistas em conservação. Trata-se do macaco-de-cheiro-da-serra, uma espécie que vive isolada em uma pequena área e possui um comportamento único e incomum.
O macaco-de-cheiro-da-serra (Saimiri sciureus) é uma espécie de primata que pertence à família dos Callitrichidae, que inclui também os saguis e os micos. Com cerca de 30 centímetros de comprimento e pesando entre 300 e 500 gramas, esses macacos possuem uma pelagem densa e de coloração marrom-avermelhada, com uma faixa branca na testa e um tufo de pelos brancos na cabeça. Seu nome é derivado do fato de que possuem glândulas odoríferas em seus pulsos, que são usadas para marcar território e se comunicar com outros membros do grupo.
O que torna essa espécie tão especial é o fato de que ela vive em um ambiente extremamente restrito, no topo da Serra do Divisor, uma região de difícil acesso e com uma altitude que varia entre 1.000 e 1.500 metros. Estudos indicam que sua área de distribuição é de apenas 200 km², o que a torna uma das espécies de primatas mais ameaçadas do Brasil. Além disso, sua população é estimada em apenas 500 indivíduos, o que a coloca na categoria de “em perigo” na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Mas o que mais chama a atenção dos pesquisadores é o comportamento incomum desses macacos. Diferentemente de outras espécies de primatas, que vivem em grupos grandes e bem estruturados, o macaco-de-cheiro-da-serra vive em pequenos grupos familiares de até 8 indivíduos. Isso significa que eles são extremamente dependentes uns dos outros para sobreviver, o que os torna ainda mais vulneráveis a ameaças externas.
Além disso, esses macacos possuem um comportamento territorialista e são bastante agressivos com outros grupos da mesma espécie. Isso faz com que a reprodução seja dificultada, já que os machos precisam lutar por uma fêmea e, muitas vezes, acabam se ferindo gravemente. Essa característica também os torna mais suscetíveis a doenças e epidemias, já que a falta de diversidade genética pode enfraquecer a população.
Diante de todas essas peculiaridades, os pesquisadores estão cada vez mais preocupados com a conservação dessa espécie. A Serra do Divisor é uma área de grande importância para a biodiversidade, abrigando diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Por isso, é fundamental que medidas de proteção sejam tomadas para garantir a sobrevivência do macaco-de-cheiro-da-serra e de todo o ecossistema ao seu redor.
Felizmente, já existem iniciativas de conservação em andamento. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem realizado pesquisas e monitoramento da espécie, além de promover ações de educação ambiental junto às comunidades locais. O objetivo é conscientizar a população sobre a importância da preservação da Serra do Divisor e de suas espécies.
Outra iniciativa importante é o Projeto Serra do Divisor, que visa a criação de




