Reduções de similaridade estrutural em áreas de ordem superior podem ajudar a prever sintomas e orientar terapias personalizadas
A esquizofrenia é uma doença mental complexa, caracterizada por distúrbios de pensamento, comportamento e percepção. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 21 milhões de pessoas em todo o mundo são afetadas por essa condição. Atualmente, a esquizofrenia é tratada com medicamentos antipsicóticos que ajudam a controlar os sintomas, mas esses tratamentos não são eficazes para todos os pacientes e podem causar efeitos colaterais graves.
No entanto, um estudo recente realizado por uma equipe de neurocientistas do Instituto de Psiquiatria do King’s College London, no Reino Unido, pode mudar a forma como a esquizofrenia é diagnosticada e tratada. Os pesquisadores descobriram que mudanças estruturais no cérebro podem ser o ponto de partida para o desenvolvimento da doença, e essa descoberta pode ajudar a prever sintomas e orientar terapias personalizadas.
O estudo, publicado na revista científica Biological Psychiatry: Cognitive Neuroscience and Neuroimaging, utilizou a técnica de ressonância magnética para mapear o cérebro de 214 pacientes com esquizofrenia e 214 indivíduos saudáveis para comparação. Os resultados mostraram que as reduções de similaridade estrutural em áreas de ordem superior do cérebro são um marcador importante para o início da esquizofrenia.
Segundo os pesquisadores, essas alterações estruturais podem ser a causa dos sintomas da doença, como alucinações e delírios, e também podem estar ligadas a outros transtornos mentais, como depressão e transtorno bipolar. A descoberta é um avanço significativo no entendimento da esquizofrenia e pode levar a novas abordagens terapêuticas para o tratamento da doença.
Uma das implicações mais importantes dessa descoberta é a possibilidade de prever a progressão da esquizofrenia e, assim, permitir tratamentos precoces e personalizados. Atualmente, o diagnóstico da doença é feito com base em sintomas, o que pode levar a atrasos no início do tratamento e piora dos sintomas. Com a identificação de alterações estruturais no cérebro, os médicos podem monitorar essas mudanças e intervir antes que os sintomas se desenvolvam completamente.
Além disso, a descoberta também pode ajudar a orientar terapias personalizadas para cada paciente. Como mencionado anteriormente, os tratamentos atuais para esquizofrenia não são eficazes para todos os pacientes e podem causar efeitos colaterais graves. Com uma melhor compreensão das mudanças estruturais no cérebro, os médicos podem prescrever tratamentos específicos para cada paciente, levando em consideração o tipo e a gravidade das alterações.
De acordo com Robin Murray, professor de psiquiatria do King’s College London e um dos autores do estudo, essa descoberta pode levar a um grande avanço no tratamento da esquizofrenia. “Se pudermos confirmar esses resultados em estudos maiores, isso pode ajudar a desenvolver tratamentos mais específicos para a esquizofrenia, o que seria um grande avanço para as pessoas que sofrem com essa doença”, disse Murray.
Além disso, a identificação de alterações estruturais no cérebro também pode ajudar a entender melhor os mecanismos subjacentes da esquizofrenia. Até o momento, a causa exata da doença é desconhecida, mas acredita-se que fatores genéticos e ambientais





