Nos últimos dias, Brasília foi palco de um importante evento preparatório para a COP30, a conferência sobre mudanças climáticas que acontecerá em Belém daqui a menos de um mês. A Pré-COP reuniu negociadores de 67 países em uma grande reunião para alinhar posições e facilitar a construção de entendimentos prévios que serão essenciais para a COP da Amazônia.
Apesar de não terem sido firmados acordos formais ou anunciadas novas metas, a Pré-COP foi um marco importante para mapear os principais pontos de entendimento e possíveis impasses que serão discutidos durante a COP30. O embaixador André Corrêa do Lago, presidente designado da COP30, afirmou que foi possível identificar os limites e posições de cada país, o que facilitará as negociações futuras.
Segundo Corrêa do Lago, dos 140 temas oficiais das negociações da COP30, a maioria é de ordem administrativa e apenas seis ou sete são considerados extremamente importantes. No entanto, ele ressaltou que já existe um mapa claro das discussões que serão realizadas e que houve avanços significativos durante a Pré-COP.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, também destacou a importância da reunião prévia e ressaltou que os limites apresentados pelos países criam possibilidades de conversas mais direcionadas durante a COP30. Além disso, ela reforçou a importância de ações de preservação das florestas e conservação dos oceanos diante dos extremos climáticos que já estão afetando o mundo.
Durante a Pré-COP, foram discutidos temas como a transição energética e a importância de priorizar a agenda de adaptação climática. A ministra Marina Silva destacou ainda que é necessário encontrar novos instrumentos econômicos para a valorização da natureza e garantir que a COP30 seja uma conferência de implementação e soluções.
No entanto, a sociedade civil aponta que faltou uma sinalização mais contundente sobre a proteção das florestas durante a Pré-COP. O Greenpeace Brasil ressalta que, apesar de a COP30 acontecer na maior floresta do planeta, não houve discussões sobre a urgente proteção das florestas. A organização também questiona onde estão os países que contam com enormes extensões de florestas tropicais, como a União Europeia e a Índia, que ainda não renovaram suas metas climáticas.
Uma iniciativa brasileira apresentada durante a Pré-COP foi o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que será lançado durante a COP30. O fundo, idealizado pelo Brasil em parceria com outros países, terá um valor previsto de US$ 125 bilhões e será destinado à preservação dos biomas florestais em cerca de 70 países. Além disso, 20% dos recursos serão repassados diretamente para comunidades de povos indígenas e tradicionais que vivem e preservam esses biomas, reforçando o papel comunitário na proteção da natureza.
Apesar de ainda não terem sido anunciadas novas metas, a COP30 será um momento crucial para que os países reafirmem seus compromissos com o Acordo de Paris e garantam que a temperatura do planeta não exceda 1,5ºC até o fim do século. A reunião bilateral com a União Europeia foi considerada positiva e o comprometimento dos países em obter uma NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) e liderar as discussões é um sinal importante para a conferência que acontecerá em Belém.
Em resumo, a Pré-COP foi um evento importante para alinhar posições e mape
