Recentemente, cientistas brasileiros foram selecionados para um estudo inovador com o radiotelescópio ALMA, localizado no Chile. O objetivo é desvendar a influência dos buracos negros na evolução das galáxias e suas estrelas, utilizando um dos maiores e mais avançados telescópios do mundo.
O radiotelescópio ALMA (Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array) é uma parceria entre países da Europa, Estados Unidos, Japão e Chile, e tem como objetivo estudar o universo em comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos. Composto por 66 antenas de alta precisão, o ALMA possui uma resolução muito maior do que a de outros telescópios, permitindo a observação de objetos celestes com grande detalhamento.
A participação dos cientistas brasileiros no estudo com o ALMA é fruto de uma colaboração entre o Brasil e o Observatório Europeu do Sul (ESO), que administra o telescópio. O Brasil é membro do ESO desde 2010 e é o país com maior contribuição entre os países não europeus.
O estudo, intitulado “Quasar Feedback and Star Formation in Galaxies” (em português, “Feedback dos Quasares e a Formação Estelar em Galáxias”), é liderado pelo pesquisador Thales Augusto Gonçalves da Silva, do Centro de Pesquisa em Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), em parceria com outros cientistas brasileiros e estrangeiros.
Os buracos negros, considerados uma das formas mais extremas de matéria no universo, são objetos cósmicos com uma gravidade tão forte que nem mesmo a luz pode escapar deles. Eles são capazes de alterar as galáxias em sua volta através da liberação de grandes quantidades de energia, influenciando a formação de estrelas e a evolução das galáxias.
Com o ALMA, os cientistas brasileiros poderão observar com grande precisão os efeitos dos buracos negros em galáxias distantes, a fim de entender melhor como eles influenciam na formação e evolução desses sistemas. Além disso, a pesquisa também visa investigar a natureza dos quasares – objetos celestes extremamente luminosos, alimentados por buracos negros supermassivos.
O estudo será realizado através de observações de galáxias que possuem um quasar ativo em seu centro, ou seja, um buraco negro supermassivo que está liberando grandes quantidades de energia. Por meio da espectroscopia, técnica que analisa as propriedades da luz emitida pelos objetos, os pesquisadores poderão identificar as características e o impacto desses quasares nas galáxias vizinhas.
A participação dos cientistas brasileiros neste estudo é extremamente relevante para a astronomia e para o avanço do conhecimento sobre o universo. De acordo com Thales Silva, a seleção do projeto mostra o reconhecimento do Brasil como um país com grande potencial para a pesquisa científica.
Além disso, a colaboração entre o Brasil e o ESO tem trazido grandes benefícios para a comunidade científica brasileira, possibilitando o acesso à tecnologia de ponta utilizada pelo ALMA e outros telescópios do ESO. Recentemente, em 2020, o Brasil também ingressou no projeto do ELT (Extremely Large Telescope), que será o maior telescópio óptico do mundo.
Com essas parcerias e investimentos, o Brasil se solidifica como um importante protagonista na busca por respostas sobre a origem e evolução do universo. Estudos como o realizado com o radiotelescópio ALMA contribuem para o avanço da ciência e podem trazer novos conhecimentos e descobertas surpreendentes.
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