O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, gerou controvérsia ao publicamente defender a remoção de limites de mandatos para ocupar o cargo máximo do seu país. Em uma entrevista recente, Bukele afirmou que “90% dos países desenvolvidos permitem uma reeleição indefinida” e argumentou que a limitação de mandatos é uma “prática antidemocrática”. Essas declarações levantaram debates sobre as implicações políticas e jurídicas de permitir a reeleição ilimitada, bem como sobre a eficácia da liderança de Bukele como presidente.
A reeleição indefinida tem sido amplamente discutida em todo o mundo, especialmente em países latino-americanos, onde muitos líderes têm tentado estender seu tempo no cargo além dos limites constitucionais. Enquanto alguns argumentam que essa prática é uma forma de perpetuar a corrupção e o autoritarismo, outros a defendem como a única maneira de garantir a continuidade de projetos políticos que levam tempo para serem implementados. Mas qual é a visão de Nayib Bukele sobre essa questão e como ela pode impactar o futuro de El Salvador?
Em primeiro lugar, é importante entender que a ideia de limitar o número de mandatos presidenciais é relativamente nova na história da democracia. Apenas algumas décadas atrás, a maioria dos países não tinha nenhum tipo de regra sobre reeleição, o que permitia que os líderes permanecessem no poder por décadas. No entanto, nos últimos anos, a limitação de mandatos se tornou mais comum, adotada por muitos países como uma forma de evitar a concentração excessiva de poder nas mãos de um único político.
No entanto, Bukele acredita que essa prática acaba prejudicando a democracia, ao restringir a escolha dos eleitores. Em sua opinião, os cidadãos devem ter a liberdade de votar em um candidato quantas vezes quiserem, desde que ele mantenha sua popularidade e capacidade de liderança. Para ele, não só a limitação de mandatos é antidemocrática, mas também limitar a escolha dos eleitores para candidatos alternativos.
O presidente de El Salvador também se posicionou contra a ideia de que a reeleição indefinida seja necessariamente uma forma de perpetuar a corrupção e o autoritarismo. Ele enfatizou que essa prática é amplamente adotada em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde os presidentes podem concorrer à reeleição quantas vezes desejarem. De fato, a lista de países que permitem a reeleição indefinida inclui democracias estabelecidas, como Reino Unido, Alemanha e França, além de países com uma longa tradição democrática na América Latina, como Chile e Colômbia.
Além disso, Bukele argumenta que, em um país como El Salvador, onde a política é altamente polarizada e as mudanças de liderança muitas vezes resultam em instabilidade, a reeleição indefinida pode ser uma forma de garantir a continuidade de projetos importantes, mesmo com mudanças no governo. Ele alega, por exemplo, que seu governo tem implementado reformas significativas em áreas como saúde, educação e segurança, que precisam de tempo para serem efetivadas.
Por outro lado, a proposta de Bukele tem sido criticada por alguns como um passo em direção a um regime autoritário. Há preocupações de que, com a possibilidade de ser reeleito indefinidamente, o presidente possa se tornar cada vez mais poderoso e controlar todos os aspectos do governo. Além disso, teme-se que a reeleição ilimitada possa contribuir para a perpetuação do clientelismo e da falta de renova





