Os registros geológicos são uma importante ferramenta para compreender o passado da Terra e como ele evoluiu ao longo dos milhões de anos. Eles são como uma “cápsula do tempo” que nos permite viajar no tempo e descobrir informações valiosas sobre o clima e os ecossistemas antigos. Na bacia Amazônica, um dos ecossistemas mais diversos e importantes do mundo, os arquivos naturais do passado estão revelando pistas surpreendentes sobre o clima há 2 milhões de anos.
A Amazônia é conhecida por sua rica biodiversidade e pela floresta tropical exuberante que cobre grande parte da região. No entanto, o que muitos não sabem é que esta área já foi muito diferente do que é hoje. Há milhões de anos, a paisagem da bacia Amazônica era bem diferente, com savanas e florestas sazonais dominando a região. Mas como isso mudou ao longo do tempo e quais fatores influenciaram essa mudança?
Para responder a essas perguntas, os cientistas estão recorrendo aos arquivos naturais do passado, como o pólen fossilizado, sedimentos de lagos e espeleotemas (formações rochosas em cavernas). Esses registros podem fornecer informações valiosas sobre o clima e o ambiente antigos, ajudando os pesquisadores a reconstruir o passado da bacia Amazônica.
Um estudo recente, liderado por pesquisadores do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP), analisou sedimentos de lagos na região amazônica para entender como o clima mudou nos últimos 2 milhões de anos. Os resultados mostram que a bacia Amazônica passou por uma série de mudanças climáticas significativas nesse período, alternando entre épocas mais úmidas e mais secas.
De acordo com os pesquisadores, durante o período mais quente do Plioceno (entre 5,3 milhões e 2,6 milhões de anos atrás), a bacia Amazônica era coberta por uma vegetação mista de savanas e florestas sazonais, com temperaturas mais elevadas e maior incidência de fogo do que hoje. No entanto, há cerca de 2 milhões de anos, a paisagem começou a mudar devido ao resfriamento global e à formação da Cordilheira dos Andes.
Com o resfriamento do clima, as savanas foram substituídas por florestas tropicais mais densas e úmidas, como as que vemos hoje. O aumento da umidade também favoreceu o crescimento de espeleotemas em cavernas, que são formações rochosas que se formam a partir de minerais dissolvidos na água. Essas formações são usadas pelos cientistas como um indicador da umidade do clima de épocas passadas.
O estudo também revelou que a bacia Amazônica passou por períodos de extrema seca, principalmente durante o Pleistoceno (entre 2,6 milhões e 12 mil anos atrás). Durante esses períodos, a floresta tropical deu lugar a savanas e florestas sazonais, que posteriormente se recuperaram com o retorno da umidade.
Essas descobertas são essenciais para entender como o clima da bacia Amazônica evoluiu ao longo do tempo e como as mudanças climáticas afetaram seu ecossistema. Além disso, elas podem ajudar a prever como a Amazônia pode ser afetada pelas mudanças climáticas futuras.
No entanto, os arquivos naturais do passado também revelam um alerta para o presente. O estudo mostrou que, quando a bacia Amazônica passou por períodos de seca extrema,





