O Brasil é um país que possui uma grande diversidade de recursos naturais, incluindo uma das maiores reservas de urânio do mundo. Com isso em mente, não é surpresa que o país tenha se interessado pela energia nuclear como uma forma de suprir suas necessidades energéticas. No entanto, a decisão de investir em energia nuclear não foi tomada de forma precipitada. Pelo contrário, foi resultado de um planejamento cuidadoso e da contribuição de cientistas renomados, que estiveram entre os formuladores da política de energia nuclear do Brasil no início dos anos 1960.
Naquela época, o Brasil estava passando por um período de crescimento econômico e industrialização acelerada. A demanda por energia estava aumentando e o país precisava encontrar fontes alternativas para suprir suas necessidades. Foi nesse contexto que o governo brasileiro decidiu investir em energia nuclear, com o objetivo de diversificar sua matriz energética e garantir a autonomia do país na produção de energia.
Entre os cientistas que contribuíram para a formulação da política de energia nuclear do Brasil, destaca-se o físico Almirante Álvaro Alberto. Ele foi um dos pioneiros no estudo da energia nuclear no país e teve um papel fundamental na criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em 1956. A CNEN foi responsável por coordenar e supervisionar todas as atividades relacionadas à energia nuclear no Brasil, desde a pesquisa até a produção de combustível nuclear.
Além de Álvaro Alberto, outros cientistas também tiveram um papel importante na política de energia nuclear do Brasil. Entre eles, podemos citar o físico José Leite Lopes, que foi um dos fundadores do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e teve uma contribuição significativa no desenvolvimento da tecnologia nuclear no país. Outro nome importante é o do engenheiro eletricista Mário Schenberg, que foi um dos primeiros a defender a utilização da energia nuclear para fins pacíficos no Brasil.
Com a contribuição desses e de outros cientistas, o Brasil deu seus primeiros passos na área de energia nuclear. Em 1960, foi inaugurado o primeiro reator nuclear do país, o IEA-R1, no Instituto de Energia Atômica (IEA), atualmente conhecido como Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). Esse reator foi fundamental para o desenvolvimento da tecnologia nuclear no Brasil e ainda está em operação, sendo utilizado para pesquisa e produção de radioisótopos para fins medicinais e industriais.
No mesmo ano, foi criada a primeira usina nuclear brasileira, a Usina Nuclear de Angra dos Reis, que foi construída com a ajuda da empresa norte-americana Westinghouse. A usina foi inaugurada em 1982 e é responsável por cerca de 3% da energia elétrica consumida no país. Além disso, o Brasil também possui outras duas usinas nucleares em operação, Angra 2 e Angra 3, que estão localizadas no mesmo complexo de Angra dos Reis.
A política de energia nuclear do Brasil também previa a construção de um ciclo completo de produção de combustível nuclear, desde a extração do urânio até a produção de combustível para os reatores. Com isso, o país se tornou autossuficiente na produção de combustível nuclear e hoje é um dos poucos países do mundo que possui essa capacidade.
É importante ressaltar que, desde o início, a política de energia nuclear do Brasil teve um enfoque pacífico e voltado para o desenvolvimento do país. O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e possui um programa de salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que garante o uso pacífico da energia nuclear no país.





